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SÃO PAULO – Nem mesmo o forte aumento dos juros registrados em 2001 foi suficiente para conter o impulso consumista do brasileiro. Contudo, diante da alta dos juros muitos se viram impossibilitados de manter os pagamentos em dia e em decorrência acabaram tendo seus cheques e títulos protestados. Esta tendência é confirmada por um estudo da Serasa, maior empresa de informações e análises econômico-financeiras para negócios da América Latina.
Inadimplência aumentou em 2001
O estudo da Serasa revela que a inadimplência aumentou durante o ano de 2001, com um crescimento de 15% no número de protestos do país, que inclui tanto indivíduos e empresas, mas exclui os dados do Estado de São Paulo. Devido a uma mudança na legislação, que transferiu o custo de protesto do título para o devedor e não mais para quem entra com o processo, houve um grande aumento no número de títulos protestados.
Sem incluir dados de São Paulo, o volume de protestos de pessoas físicas, que responde por 27,9% do volume total de títulos protestados, aumentou 22% frente ao alcançado em 2000. Já o volume de títulos protestados de empresas, que responde pela maioria do total de protestos (72%) cresceu bem menos, 12,4% frente ao registrado em 2000.
Cerca de 8 milhões de títulos protestados em 2001
No total, incluindo os dados de São Paulo foram protestados 7,8 milhões de títulos durante o ano passado. Deste total, cerca de R$ 3,5 milhões refletem títulos protestados em São Paulo, o que equivale a pouco menos de 45% do total.
Ilustrando a forte distorção que os números de São Paulo embutem, no ano de 2000, o volume de títulos protestados total no país foi de 5,4 milhões, o que significa que se forem incluídos os números de São Paulo o aumento dos protestos passa de 15% para 44,5% em 2001.
A Serasa também acompanha a evolução mensal do volume de títulos protestados do país através de um índice cuja base 100 é o primeiro mês do ano. De acordo com o índice, que tem como base 100 janeiro de 2001, os maiores volumes de protestos foram alcançados nos meses de agosto (170) e outubro (168).
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Crédito fácil contribui para aumento dos protestos
Diante de um cenário econômico pouco favorável, em que os juros aumentaram várias vezes durante o ano, a maioria das financeiras não mudou sua estratégia de concessão de crédito. Com isso, acabaram contribuindo para o aumento da inadimplência. A Serasa acredita que somente com a melhora dos processos de concessão de crédito, será possível reduzir o nível de inadimplência do país.
Apesar do aumento da inadimplência, o racionamento de energia, alta dos juros e crise na Argentina fizeram com que o consumidor ficasse mais cauteloso na hora de comprar, pelo menos na segunda metade do ano. Diante disto não é de se surpreender que o setor de eletro-eletrônicos, cujos bens têm maior valor agregado e são em geral comprados de forma financiada, tenha registrado uma forte queda (-10,6%) nas vendas de 2001.