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O mercado brasileiro de previdência privada aberta desacelerou em 2025. A captação líquida do setor – que se refere aos aportes realizados menos as retiradas – somou R$ 4 bilhões no ano, uma queda de 93,5% em relação ao montante registrado em 2024. É o que mostra relatório da Fenaprevi (Federação Nacional de Previdência Privada e Vida), que representa as empresas que operam neste mercado, divulgado nesta terça-feira (03).
No ano passado, o total de aportes, ou seja, os valores que os clientes depositam nos planos, foi de R$ 157,1 bilhões, uma retração de cerca de 20% na mesma base de comparação (o equivalente a uma diminuição de quase R$ 40 bilhões em aportes). Na outra ponta, os resgates (dinheiro sacado pelos participantes) aumentaram, somando R$ 153,2 bilhões, uma alta de 13,2%.
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Impacto da cobrança de IOF no VGBL
Segundo o presidente da Federação, Edson Franco, os resultados de 2025 comprovam o impacto da cobrança do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) nos planos do tipo VGBL (Vida Gerador de Benefício Livre) em aportes acima de R$ 300 mil, medida imposta pelo governo no meio do ano.
Na avaliação do executivo, a medida gerou um “claro desincentivo à poupança previdenciária” brasileira. “Nos planos VGBL saímos de uma captação liquida de quase R$ 60 bi para pouco mais de R$ 3 bilhões. Vale ressaltar que em todos os meses em que a cobrança do IOF esteve em vigor a captação líquida ficou negativa”, destaca.
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Franco aponta que são os piores resultados da série histórica e representam uma perda para a sociedade e a economia do país.
“É um volume de recursos que deixou de ser alocado para aumentar a proteção financeira de longo prazo das famílias e que dificilmente voltará para o sistema. Tais resultados transformam 2025 no pior ano para a previdência privada aberta no Brasil.”
O setor encerrou 2025 administrando R$ 1,8 trilhão em ativos, o equivalente a cerca de 14% do PIB brasileiro, informa a entidade.
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Mais de 11 milhões de planos no país
Segundo a Fenaprevi, mais de 11,2 milhões de pessoas possuem por volta de 13,7 milhões de planos de previdência privada aberta no Brasil.
Do total de planos, pouco mais de 8,6 milhões são do tipo VGBL, o que corresponde a 63% do total. Outros 3,2 milhões de planos (23%) são da modalidade PGBL (Plano Gerador de Benefício Livre) e cerca de 2 milhões (14%) se referem aos planos tradicionais.
Ao analisar a distribuição dos aportes por tipo de plano, o relatório da Federação aponta que 88% do total arrecadado em 2025 foi destinado aos planos VGBL; enquanto outros 10% foram aportados em planos PGBL e os 2% restantes em nos tradicionais.
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Tipos de planos
PGBL e VGBL são dois tipos diferentes de planos de previdência privada aberta cuja diferença, basicamente, se dá na forma de incidência do Imposto de Renda.
O PGBL é a modalidade mais indicada para quem entrega a declaração completa do Imposto de Renda e permite que o valor investido no plano seja deduzido em até 12% da renda bruta tributável que o contribuinte recebeu no ano.
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Já o VGBL é o plano de previdência privada criado para alcançar a população de renda mais baixa ou que está no início da vida profissional. A modalidade foi criada depois do PGBL, com foco em quem é isento do IR ou utiliza o modelo simplificado para fazer a declaração, já que essa modalidade não oferece o benefício da dedução do tributo da base de cálculo. Porém, no momento do resgate, o imposto será cobrado somente sobre os rendimentos, e não sobre o total acumulado.
O VGBL foi uma das modalidades de aplicações e operações financeiras impactadas pelo decreto presidencial de 11 de junho que elevou as alíquotas de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), medida revertida por decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Foi mantida, contudo, a alíquota de 5% de IOF sobre aportes mensais acima de R$ 300 mil no VGBL em 2025 – e de R$ 600 mil em 2026.
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