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SÃO PAULO – Atrasar o pagamento das contas, passar cheque sem fundo, ou entrar no crédito rotativo do cartão de crédito são apenas algumas das situações que fazem parte da realidade de um número crescente de pessoas.
Entretanto, é preciso fazer distinção entre as pessoas que se encontram nesta situação momentaneamente, porque aconteceu um evento extraordinário, e aquelas que se já fizeram do atraso no pagamento das contas uma rotina da suas vidas.
Sacrifício pessoal para sair das dívidas
Perder um emprego pode desequilibrar as finanças de qualquer um, levando a pessoa a ficar no vermelho. Afinal, nestas situações o mais comum é recorrer aos chamados créditos pré-aprovados, como é o caso, por exemplo, do cartão de crédito e do cheque especial. Apesar da comodidade, você não precisa sofrer com a burocracia, os juros embutidos nestas duas modalidades de financiamento são mais altos, de forma que você pode acabar perdendo controle da situação.
Entretanto, as pessoas que assim quiserem certamente conseguirão, com um pouco de sacrifício pessoal, sair desta situação. Infelizmente não existe outra saída senão reduzir dramaticamente os gastos, tudo que não for essencial deve ser deixado de lado, tudo mesmo, pois mais vale alguns meses de sacrifício para se ver fora do pesadelo das dívidas. Como se trata de uma situação momentânea, se você não se acomodar, e logo estabelecer uma estratégia para sair do vermelho, provavelmente em poucos meses conseguirá ter sucesso.
Contudo, se adotar a estratégia de ignorar o problema é possível que rapidamente passe a fazer parte da outra categoria de devedores, a dos devedores crônicos. Sair deste ciclo vicioso das dívidas é muito difícil, mas para os devedores crônicos é preciso mais do que sacrifício pessoal, é preciso mudar a forma de pensar e lidar com o dinheiro.
Vivendo o pesadelo das dívidas
O devedor crônico é aquele que considera o limite do cheque especial e do crédito rotativo no cartão de crédito como parte do seu orçamento. Nestes casos somente através do uso do cheque especial e do cartão de crédito é que o devedor crônico consegue equilibrar parcialmente o seu orçamento no final do mês.
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Parcialmente porque, como sempre acontece em casos de desequilíbrio financeiro, com o passar do tempo e o aumento dos encargos com juros nem mesmo estes limites são suficientes para conseguir equilibrar os gastos no final do mês e é aí que o pesadelo das dívidas realmente começa.
A maioria dos devedores crônicos se habitua com o levantamento de novos empréstimos, adiantando a restituição do imposto de renda, do décimo terceiro e até mesmo das férias. Se o pagamento da restituição de imposto de renda não sai este devedor entra em desespero, mas como quitar o financiamento se a Receita não paga o dinheiro que lhe deve? Recorrer a financiamentos para arcar com os gastos do dia a dia, certamente é a receita certa para perder o controle das suas finanças.
Quando se encontram nesta situação, os que ainda conseguem, levantam novos financiamentos, os demais simplesmente deixam de pagar algumas contas dando preferência para as mais importantes, enquanto alguns tentam buscar nos amigos e parentes uma nova fonte de recursos.
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O grande problema é que esta situação deve se manter enquanto o devedor não tiver controle sob a sua situação financeira, isto é, souber quanto gasta, quanto recebe e quanto falta no final do mês. Portanto, não perca tempo e comece agora mesmo a planejar seus gastos:
- Quanto você deve
A primeira coisa a fazer é calcular o quanto você deve, faça uma lista do total de dívidas que tem, liste não só o saldo devedor, mas também os juros e prazo da dívida.
É com base nesta lista que você vai estabelecer suas prioridades na hora do pagamento, caso não consiga o suficiente no final do mês para arcar com todos os gastos.
- Identificando gastos
Agora que você já sabe o quanto deve está na hora de entender melhor o quanto gasta por mês. Prepare uma planilha detalhada dos seus gastos mensais, não se esqueça de nada, busque identificar gastos que pode deixar de lado. Lembre-se que se trata de uma situação de emergência e que é preciso fazer um esforço pessoal se quiser sair do vermelho. Separe os gastos em dois grupos, aqueles referentes ao pagamento de dividas e os que são despesas mensais normais, como aluguel, comida, etc.
- Re-negociação
Este exercício vai lhe permitir identificar quanto você tem todos os meses para pagar suas dívidas, caso não tenha o suficiente para arcar com todos os pagamentos existem algumas saídas: a primeira é cortar mais gastos e a segunda é tentar re-negociar as dívidas. Entre em contato com os seus credores e busque uma re-negociação da dívida se preciso, mostre o seu orçamento e estabeleça metas alcançáveis, caso contrário, todo este esforço de nada vai adiantar. Caso não seja possível re-negociar, então estabeleça prioridades no pagamento das dívidas.