Pix estreia dia 16

Pix: bancos não devem ter perda significativa de receita com novo sistema, diz Febraban

Em live promovida pela Febraban, Pinho de Mello, do BC, também garantiu que o Pix está pronto e seguro para estrear no dia 16

(Getty Images)
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SÃO PAULO – Isaac Sidney, presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), afirmou que a chegada do Pix, novo sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central que estreia na próxima segunda-feira (16), não deve afetar as receitas dos bancos tanto quanto se especulou.

Rumores apontaram para uma perda significativa das receita dos grandes bancos com tarifas de TEDs e DOCs, segundo o executivo. O Pix elimina a necessidade de pagamento de taxas em transferências entre pessoas físicas, o que poderia aumentar a fatia de outros players, como fintechs e cooperativas.

“Tudo isso é natural quando temos uma agenda pró-competitividade gerida pelo BC. Mas acredito que a chegada do Pix deve ter impacto limitado na receita dos bancos do ponto de vista de perda de valores com tarifas”, afirma o executivo.

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“Temos dados concretos de que 60% do total de contas transacionais são isentas desse tipo de cobrança, enquanto boa parte dos clientes que representam os outros 40% não paga tarifas, seja pelo relacionamento com o banco, seja porque muitos deles têm pacotes de serviços contratados que incluem a isenção de tarifas.”

Uma reportagem do InfoMoney já mostrou como o Pix, com seu caráter instantâneo, vai eliminar intermediários da cadeia de pagamentos. Isso pode tornar as transações mais baratas para os consumidores.

No Itaú, por exemplo, Carlos Eduardo Peiser, diretor de estratégia pessoa jurídica e open banking do banco, já havia afirmado no mês passado que o Pix inevitavelmente trará perda de receitas ao banco. Os correntistas devem passar a optar pela transferência gratuita no novo sistema, em vez de usar a TEDs e o DOC, que cobram taxas.

No entanto, Peiser defendeu que novas oportunidades de negócio também vão surgir com a adoção do novo sistema.

“Vai acontecer uma migração por parte de clientes que não vão querer pagar as taxas de TED e DOC. Vamos deixar de ganhar esse dinheiro. No entanto, as receitas que temos dessas modalidades não são significativas e são muito menores do que as oportunidades de negócios que vamos ter com a chegada do sistema”, afirma.

Concorrência

Tornar o sistema financeiro mais competitivo é uma das premissas do Pix, e a consequência é a potencial descentralização do ecossistema que se tem hoje. Temos cincos grandes bancos (Bradesco, Banco do Brasil, Caixa, Itaú e Santander) responsáveis pela esmagadora maioria das transações que acontecem no país.

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Sidney afirmou que “concentração não é sinônimo de falta de competividade”. “Estive por quase 18 anos no BC e posso assegurar que o setor bancário brasileiro é competitivo, seja porque o regulador tem tido essa visão [pró-competição], seja porque novos players estão entrando. O setor bancário é concentrado no mundo inteiro porque é um setor que movimenta muito capital de longo prazo”, disse.

De acordo com um estudo da consultoria Roland Berger, a chegada do Pix terá um impacto negativo no bancos tradicionais porque falta agilidade a essas instituições na adaptação a um modelo de negócio centrado no cliente, e não mais no produto. Essa será uma das principais transformações que o novo sistema vai trazer – e um lema que concorrentes mais modernos, como as fintechs, já têm desde sua formação.

Segurança

João Manoel Pinho de Mello, diretor do BC, garantiu que o sistema é “extremamente seguro”. “O Pix foi concebido em cocriação com o mercado e por diálogo permanente com as áreas de segurança de todos os participantes do sistema. O Pix foi construído do zero e, ao fazer isso, foi possível criar um sistema sem alguns legados já consolidados e que quisermos melhorar”, afirmou.

Ele deus dois exemplos: considere que um hacker desenhe um esquema para aplicar golpes usando transferências bancárias. Para isso, pode abrir uma conta em nome de um terceiro para aplicá-los e o dinheiro começa a sair de uma conta e cair em outra, a do criminoso.

“Hoje, tanto na ponta de quem paga quanto na de quem recebe, há filtros de segurança das instituições financeiras. Eu estou sempre em São Paulo ou Brasília, por isso, se meu cartão de débito for usado em uma transação de madrugada em Porto Alegre, minha instituição financeira vai bloquear o cartão por ser uma operação incomum para o meu perfil. Com o Pix é igual, segue o mesmo padrão”, diz.

Por outro lado, prossegue o diretor do BC, se a fraude for consumada, atualmente a instituição que recebe o dinheiro não tem como comunicar o cliente ou o sistema de maneira ágil sobre o problema.

“Já no Pix, se a instituição entender que a operação é suspeita do lado recebedor [golpista recebendo o dinheiro, por exemplo], vai ter o instrumento para interromper esse recebimento, avaliar e comunicar automaticamente para o sistema de informações do BC a fraude. Esse instrumento vai espalhar uma marcação nessa operação para todos os participantes. A transação ficará marcada como suspeita em todo o sistema”, explica.

Mello ressaltou que os limites são baseados nos que já existem, como cartão de débito e saques no caixa eletrônico, além do fato de o cliente estar sempre logado no ambiente do banco para usar o Pix.

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“É difícil ser muito mais seguro que isso. A culpa é sempre do fraudador e vamos trabalhar para minimizar os problemas”, disse Mello.

Leandro Vilain, diretor-executivo de inovação, produtos e serviços bancários da Febraban, recomenda que os clientes sempre façam uma transação Pix com atenção.

“Sempre leia os dados financeiros antes de confirmar a transação, não clique em e-mails desconhecidos, não responda mensagens e vale lembrar que os bancos não mandam SMS pedindo dados, nem vão até sua casa para retirar cartões. Se precisar de ajuda ou suporte ou tirar dúvidas, sempre busque os canais oficiais dos bancos”, finaliza.

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