Mundo pós-pandemia

Passageiros devem se preparar para voos ainda mais tediosos

Enquanto governos elaboram planos, propostas destinadas a manter passageiros seguros são, muitas vezes, contraditórias

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Passageiros usam máscaras no aeroporto do Galeão
Passageiros usam máscaras no aeroporto do Galeão (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

(Bloomberg) — Faz tempo que viajar de avião está longe de ser divertido.

Agora que companhias aéreas começam a retomar os voos após as medidas de confinamento, passageiros podem esperar uma experiência ainda mais desagradável, com novos pontos de medição de temperatura, filas que chegam até o estacionamento para manter o distanciamento entre as pessoas e divisórias de acrílico que isolam balconistas, baristas e outros funcionários.

Máscaras e luvas serão norma, dispensadores de álcool gel estarão por toda parte e, embora o plano seja automatizar muitos processos para minimizar a interação humana, autoridades do setor preveem que os tempos de viagem terão que aumentar para acomodar as precauções de higiene.

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“Passar por um aeroporto, por toda a experiência de viagem, será tão agradável quanto uma cirurgia do coração”, diz Paul Griffiths, diretor-presidente da Dubai Airports, cujos funcionários usam batas descartáveis e viseiras de segurança que não pareceriam estranhas em uma ala de pacientes com Covid-19.

Enquanto governos elaboram planos para que o mundo possa voltar a voar, propostas destinadas a manter passageiros seguros são muitas vezes confusas e contraditórias.

Por exemplo, impedir que as pessoas se sentem próximas no portão de embarque, mas que possam estar amontoadas por seis ou oito horas durante um voo.

E, se implementadas a longo prazo, executivos dizem que podem causar quase tanto dano aos lucros das companhias aéreas e aeroportos quanto se permanecessem completamente fechados.

Manter 400 pessoas a dois metros de distância “significa uma fila de quase um quilômetro, que preenche a sala de embarque e vai até o estacionamento”, diz John Holland-Kaye, CEO do Aeroporto de Heathrow de Londres.

O cumprimento da regra de dois metros pode reduzir a capacidade do aeroporto para 20% do nível habitual, diz. “Isso não é algo que podemos continuar fazendo até que uma vacina chegue.”

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Por isso, Holland-Kaye diz que seria melhor que aeroportos rastreassem passageiros possivelmente infectados com o Covid-19 na entrada do terminal.

Heathrow, o aeroporto mais movimentado da Europa, está testando um sistema de detecção térmica destinado a identificar pessoas com o vírus, tecnologia usada na Ásia há anos. O governo do Reino Unido, no entanto, ainda não endossou o projeto.

O que não é viável, dizem companhias aéreas, é bloquear fileiras de assentos a bordo de aeronaves para manter o distanciamento a 38 mil pés.

Tal medida não seria tão eficaz para conter o vírus e, ao mesmo tempo, afetaria os lucros das aéreas, afirma a Associação Internacional de Transporte Aéreo.

Com as fileiras do meio removidas, jatos de corredor único teriam que voar com capacidade de até dois terços do total, enquanto 70% são necessários apenas para conseguir o ponto de equilíbrio, de acordo com a associação.

O distanciamento acontecerá de qualquer maneira, diz Jozsef Varadi, diretor-presidente da aérea de baixo custo Wizz Air, porque poucas pessoas provavelmente conseguirão assentos quando as companhias começarem a expandir os voos novamente.

Ele diz que não tem planos de limitar o número de passageiros. Alguns, no entanto, já reclamam que os aviões estão muito cheios.

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