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SÃO PAULO – Apenas 29% da população de baixa renda tem, e utiliza, linhas de crédito. Ao contrário do que muitos pensam, esse público, com renda familiar média de R$ 870, conhece o efeito dos juros e o considera em suas decisões. Tem controlado o seu nível de endividamento e sabe bem quando pode, ou não, gastar o seu dinheiro.
Os dados integram a pesquisa
“A baixa renda e o crédito”, realizada pela TNS InterScience, e foram apresentados durante evento na Febraban (Federação Nacional de Bancos) nesta terça-feira (22).
Uso do crédito
Segundo Paulo Secches, diretor da InterScience, a população de baixa renda responde hoje por 30,487 milhões de domicílios no Brasil (ou seja, 68% do total de domicílios brasileiros).
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Informações, análises e recomendações que valem dinheiro
Entre as linhas de crédito que possuem, 41% se referem aos cartões de loja, 36% aos cartões de crédito, 11% ao cheque especial, 8% ao empréstimo consignado e 3% a outros.
Gestão de renda
A pesquisa aponta ainda que, por necessidade, a população de baixa renda construiu um sistema próprio de gestão de renda, baseado no seguinte raciocínio:
- renda é variável e instável: a quantia varia de mês para mês e as entradas não têm dia certo – isso porque a maioria dos trabalhadores de baixa renda estão no mercado informal ou possuem, na residência, alguém que complemente a renda do lar que esteja nessa condição (63% das mulheres possuem renda informal e contribuem para o orçamento doméstico);
- manter o controle do que tiver para pagar, conforme tiver dinheiro (mantendo os pagamentos sob controle e optando pelo carnê)
- dívidas são pagas à medida em que o dinheiro entra (se no dia do pagamento não houver dinheiro, alternativa é pagar depois)
- não deve deixar o débito cair no Banco pois, além de pagar multa, o nome ficará sujo e a conta poderá ser cancelada.
Sonhos de consumo
A casa própria é o sonho de consumo para 52% da população de baixa renda, seguida pelo carro (49%) e o negócio próprio (33%). Lazer e viagem (27%) e educação (19%) assumem posição intermediária na lista, seguidos por eletrodomésticos (14%) e roupas e acessórios (15%), nas últimas colocações.
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Em contrapartida, a proporção muda ao verificar quantas pessoas fariam uso do crédito para a realização do seu sonho de consumo. Neste caso, 35% comprariam sua casa com linha de crédito, 23% comprariam um automóvel, 15% usariam do crédito para abrir negócio próprio, 7% usariam o recurso para lazer e viagem, 7% para cursos e educação, 4% para eletrodomésticos e 4% para eletrodomésticos.
Inibidores à tomada de crédito
Segundo Paulo Sacches, analisando-se a população de baixa renda, alguns fatores têm agido como inibidores à tomada de crédito: a falsa idéia de que os produtos financeiros irão levar o consumidor à desgraça; a impressão que o cliente tem de que será “apedrejado em praça pública” se atrasar seu pagamento e por isso deve evitar o crédito e, principalmente, as taxas de juros.
De acordo com o especialista, este público sabe bem trabalhar com seus prazos, e opta, muitas vezes, por pagar suas dívidas em dinheiro, por receber sua remuneração em partes picadas durante o mês.