Na hora de comprar, prevenir é melhor que remediar

Para economista da ACSP, consumidor que necessita sempre de crédito não pode se dar ao luxo de ter o nome vinculado ao SPC/Serasa

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SÃO PAULO – A velha máxima de que “prevenir é melhor do que remediar” se enquadra, talvez mais do que até em outros casos, no planejamento financeiro. Neste sentido, entende-se a importância de se manter fora dos registros de inadimplentes.

Na avaliação do economista e superintendente da ACSP (Associação Comercial de São Paulo), Marcel Solimeo, um consumidor que necessita sempre de crédito não pode se dar ao luxo de ter o nome vinculado ao SPC (Serviço de Proteção ao Crédito) ou Serasa.

“Ele [consumidor] pode precisar de crédito em alguma situação de urgência, mas não ter acesso, por possuir restrição no cadastro. O que fazer?”

Segundo o economista, o ideal é o consumidor forme um histórico favorável do próprio nome. Assim, no momento da compra, por exemplo, ele não terá dificuldade em pleitear crédito.

Ter o nome incluído no SPC, avalia Solimeo, é sinal de descontrole nas finanças domésticas. Além disso, se a pendência não for resolvida, é certo que o consumidor terá dificuldades orçamentárias ainda mais graves no futuro.

Problemas
O que leva a uma pessoa ter restrição no crédito? Solimeo sustenta que esse é um problema que independe do indivíduo, de modo que, por exemplo, situações como o desemprego podem pegá-lo de surpresa a qualquer momento.

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É fato, no entanto, que está ao alcance de qualquer pessoa controlar e evitar um eventual revés nos gastos. O jargão “prevenir é melhor que remediar” insere-se ao pé da letra nesse contexto.

Natal a prazo
“Essa é uma época em que as necessidades aumentam, pois os consumidores fazem compras adicionais, dão presentes e aproveitam para adquirir itens necessários.Por outro lado, as pessoas com nome negativo ficam sem possibilidade de crédito, ou seja, sem comprar nada”, observa Solimeo.

O economista revela que em um dia normal, o balcão do SPC atende a cerca de 1,5 mil pessoas. Em dezembro, esse número sobe para 2 mil e, nas últimas semanas do ano, ultrapassa a casa de 2,5 mil atendimentos diários. A razão dessa corrida? Retirar o nome do cadastro de inadimplentes, para realizar as tão esperadas compras de final de ano.

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Outro ponto levantado diz respeito à dinâmica das compras a prazo. A modalidade, na maioria das vezes, é a única opção para a classe de menor renda, que só tem acesso aos bens por meio do crédito. A facilidade com que essa modalidade pode ser encontrada hoje acaba por seduzir qualquer tipo de consumidor.

Solimeo, contudo, alerta para o uso fácil do crédito, afirmando que deve ser uma “facilidade que deve ser dosada”. Quem não tem controle sobre as finanças encontra com mais facilidade o caminho da inadimplência, tudo por meio do caminho do crédito fácil.

“A alternativa seria poupar para depois comprar, o que implica postergar”, recomenda.

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Varejo
De olho nessa propensão descontrolada de crédito, a rede Casas Bahia lançou a cartilha “Nome, Nosso Maior Patrimônio”. Nas páginas do material constam dicas sobre finanças pessoais e gestão do orçamento doméstico.

“A cartilha é interessante para o consumidor. O varejista tem interesse nas compras dos clientes, mas tem interesse ainda maior pelas comercializações realizadas de forma correta, sem atrasos”, finaliza Solimeo.