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Maracanã tem seguro? Especialistas explicam como funciona a proteção para estádios

Por se tratar de um estádio multifuncional, com eventos esportivos, culturais e comerciais, seguro para o espaço considera a grande complexidade operacional

Vitor Oliveira

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Inaugurado em 16 de junho de 1950 no Rio de Janeiro, o Estádio Jornalista Mário Filho, o Maracanã, é um ícone do futebol e da cultura brasileira que recentemente ganhou uma camada extra de proteção: um seguro patrimonial para riscos operacionais. Mas o que isso significa na prática?

Diferente de um seguro de vida ou de carro, que protege pessoas ou veículos, o seguro patrimonial para estádios foca no “corpo físico” do imóvel – como estruturas, telhados e instalações elétricas –, cobrindo riscos do dia a dia, independentemente de jogos ou shows.

Imagine o estádio como uma grande casa: o seguro entra em ação se algo imprevisível danificar essa “casa”.

“São cobertos danos materiais decorrentes de acidentes de origens súbitas e imprevistas aos bens segurados. Por exemplo, incêndios, explosões, alagamentos, vendavais, danos elétricos, impactos de veículos, entre outros.”

— conta Thales Amaral, diretor regional do Rio de Janeiro da Zurich Seguros

A Zurich é a seguradora responsável pela cobertura patrimonial do Maracanã e outros estádios brasileiros. A apólice (contrato de seguro) foi fechada em colaboração com a corretora de seguros Inter Risk. 

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Qual o papel de cada uma?

A Zurich é a “seguradora líder”, que emite a apólice e cuida dos sinistros (ocorrência do risco previsto no contrato de seguro). Já a Inter Risk forma uma camada extra para riscos maiores, absorvendo parcelas acima de certos limites.

“Atuamos na coordenação técnica de todo o programa, integrando seguradora e resseguradores para a correta distribuição das capacidades e definição dos limites operacionais”, explica Fernando Coelho, diretor de estratégias da Inter Risk.

O papel da corretora foi estruturar esta solução, avaliar o risco, definir o melhor desenho técnico, promover o equilíbrio entre retenção e transferência e garantir que todos os participantes estejam alinhados aos parâmetros de segurança, engenharia e compliance exigidos.

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Por que é complexo segurar um estádio como o Maracanã?

Estádios não são prédios comuns. Eles recebem multidões em eventos variados, desde partidas de futebol a shows internacionais, o que multiplica os riscos.

Ao longo de sua história, o Maracanã já foi sede de duas finais de Copa do Mundo, das cerimônias de abertura e encerramento de Jogos Olímpicos e palco de grandes shows. Segundo informações do site oficial do estádio, só em 2025 o Maracanã recebeu mais de três milhões de torcedores. Até 16 de dezembro do ano passado, o espaço totalizou 3.182.799 de público presente em 72 jogos oficiais, com média de 44.206 por partida.

“O maior desafio foi o envolvimento e o alinhamento de várias equipes técnicas e comerciais dedicadas à análise e estruturação de um modelo de oferta que atendesse as necessidades do segurado. Este trabalho conjunto teve uma duração longa, que demandou disciplina e consistência nas entregas”, diz Amaral.

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Segundo Coelho, por se tratar de um estádio multifuncional, com eventos esportivos, culturais e comerciais, isso envolve grande complexidade operacional.

“Exige modelagens específicas de cenários de acúmulo, contingências de interrupção de eventos, análise de cargas estruturais e protocolos de evacuação”, complementa.

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O que não cobre e o que acontece após sinistros graves?

Nem tudo está protegido. Nem todos os riscos estão cobertos, mas por questões de confidencialidade, as exclusões da apólice do Maracanã não foram reveladas pelos envolvidos. Mas, para se ter uma ideia, costumam ser prática de mercado exclusões envolvendo guerras, riscos nucleares, atos ilícitos, dolosos, desgastes ou deteriorações.

Ou seja, problemas intencionais ou desgastes naturais do tempo ficam de fora – cabe ao estádio investir em manutenção preventiva. Em casos graves, como incêndios ou colapsos, a agilidade é chave, explicam os especialistas.

“O foco é garantir estabilidade financeira ao operador e minimizar interrupções prolongadas, com respostas rápidas em eventos críticos, protocolos de regulação, perícia e adiantamentos indenizatórios”, afirma Coelho, da Inter Risk.

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Futuro dos seguros em estádios brasileiros

Com o aumento de eventos climáticos, como enchentes, e cibernéticos, como ataques hackers que param operações, as apólices vem evoluindo para lidar com esses riscos.

“Operadores de arenas vêm investindo em resiliência operacional, protocolos de prevenção e segurança digital. Isso favorece a manutenção da segurabilidade e o desenvolvimento de soluções especializadas para grandes eventos no país”, afirma Coelho.

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