Mais da metade dos inadimplentes alega desemprego como causa

Tendência é sentida há de dez anos: em 1997, 39% dos entrevistados apontavam o problema como motivador

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SÃO PAULO – O desemprego foi e continua sendo a principal causa da inadimplência. Pesquisa do Instituto Gastão Vidigal, da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), divulgada nesta terça-feira (10), mostra que 56% dos 1.020 entrevistados no Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC) em março deste ano alegaram esse motivo pelo não-pagamento de contas.

Essa tendência – em menor nível – já era sentida há dez anos. À época, o levantamento constatou que 39% dos devedores estavam nessa situação pela falta de fonte de renda. “Esse alto índice de desemprego na década justifica-se pelo baixo crescimento da economia brasileira”, avaliou, por meio de nota, o presidente da ACSP, Alencar Burti.

Outros motivos

Ainda, de acordo com o levantamento, 10% dos maus pagadores explicaram não ter honrado as dívidas por descontrole de gastos. Com isso, pode-se constatar que o consumidor está ficando mais consciente de suas contas: em 1997, esse item correspondia a 22% das respostas, caindo para 15% em 2002.

Outro quesito que perdeu força foi a queda de renda da família, que passou de 16% para 4% das respostas no período de dez anos. No mesmo período, o motivo “doença em família” permaneceu praticamente estável, de 3% para 4%.

Em proporção considerável está a ajuda a amigos: 14% das pessoas que estão inclusas no SCPC emprestaram o nome ou foram avalistas. Há dez anos, esse item não era contabilizado. No levantamento de 2002, respostas do tipo correspondiam a 13% do total.

Inadimplência

Vale lembrar que, em março, o número de inclusões de registros no SCPC cresceu 4,2% em relação ao ano passado e 26,8% na comparação com fevereiro. Já entre os registros cancelados – isto é, de pessoas que “limparam” seus nomes – houve aumento de 7,1% na comparação anual e de 22,6% sobre o segundo mês do ano.

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Já nos três primeiros meses do ano, os registros recebidos no cadastro de inadimplentes aumentaram 6,7% em relação ao primeiro trimestre de 2006. As consultas ao Usecheque subiram 6,6% na mesma comparação.