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SÃO PAULO – Buscando ajudar os comerciantes a identificar melhor o perfil dos inadimplentes, de forma a reduzir suas perdas com o atraso ou não pagamento das prestações a Associação Comercial de São Paulo fez um levantamento para identificar o perfil dos inadimplentes paulistas.
Maioria é jovem
De acordo com o levantamento, a maioria dos inadimplentes é jovem, o que não chega a surpreender, pois se trata da parcela da população que mais depende de financiamentos para efetuar suas compras, visto que ainda não acumulou patrimônio suficiente.
Do total de inadimplentes entrevistados, cerca de 42% tinham menos do que 30 anos, podendo ser classificados como jovens que estão iniciando sua carreira profissional. Com base nos dados dos devedores que procuram o Serviço Central de Proteção de Crédito (SCPC), este percentual sobe para 82% se incluirmos as pessoas com até 40 anos de idade.
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Se até os 30 anos as pessoas estão em crescimento profissional, o que explica a grande dependência por crédito, a partir dos 30 começam a constituir família, o que aumenta os gastos já que a família tende a crescer com o nascimento de filhos. Diante do aumento dos gastos, a pressão sobre o orçamento cresce e com ela a busca por financiamentos.
Desemprego ainda é maior vilão
Segundo o levantamento, o desemprego é a causa apontada pela maioria dos entrevistados como responsável pela inadimplência. Apesar disto, o percentual de entrevistados que aponta o desemprego como razão para sua inadimplência caiu de 51% em junho para os atuais 47% registrados neste último levantamento.
O percentual de entrevistados que aponta o desemprego como causa para a inadimplência também caiu em relação a setembro do ano passado. Naquela época cerca de 52% dos entrevistados apontou o desemprego como razão para o atraso nos pagamentos. Apesar disto, a maior parte dos entrevistados, 51%, ainda está desempregada, sendo que entre os empregados apenas metade tem registro em carteira.
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Prazo de financiamento caiu
Outra constatação da pesquisa foi a queda no prazo médio dos financiamentos. Se em 2001 cerca de 35% dos financiamentos tinha prazo de até 4 meses, agora este percentual subiu para 41%. Da mesma forma, o percentual de financiamentos com 5 a 7 meses de prazo subiu de 17% para 22%.
Com isto os financiamentos de até sete meses subiram de 52% para 63% do total. Em sentido contrário, os financiamentos com mais de 18 meses caíram de 6% para 3% do total. Quanto à modalidade de pagamento preferida, os crediários ainda respondem pela maior parte das compras financiadas com 56% do total, seguidos do cartão (23%) e do cheque especial (21%).
A preferência se justifica não pelo fato de que boa parte dos consumidores não tem acesso aos cartões ou cheques, mas também pelo fato dos juros cobrados serem bem mais baixos. Enquanto os juros do cartão e do cheque variam entre 10% e 11% ao mês, os do crediário estão em cerca de 6% ao mês.
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Maioria tem renda de até R$ 700
Em linha com a afirmação de que a maior parte dos inadimplentes é jovem, pode-se verificar que cerca de 49% dos entrevistados tinha renda familiar ente R$ 200 e R$ 700 por mês, com outros 43% tendo renda entre R$ 700 e R$ 2 mil. A maior parte das dívidas foi originada na compra de roupas e calçados (26%), móveis (18%) e eletrodomésticos (16%).
Apesar de endividados, cerca de 44% dos entrevistados pretende efetuar compras a prazo até o final de 2002, enquanto cerca de 28% pretende fugir dos crediários e outros 28% ainda não sabem ao certo o que farão. Caso efetivamente voltem às compras até o final do ano, os itens comprados devem ser os mesmos, com 25% apontando roupas e calçados, 22% eletrodomésticos e 16% móveis.