Lançamentos imobiliários desaceleram com pressão da inflação da construção

Empreendimentos de alto padrão sustentam preços em algumas regiões, conforme novo índice do DataZAP; Rio e Campinas lideram valorizações

Anna França

Pessoa em frente a prédio em construção no Rio de Janeiro (Foto: REUTERS/Pilar Olivares)
Pessoa em frente a prédio em construção no Rio de Janeiro (Foto: REUTERS/Pilar Olivares)

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O ritmo de lançamentos imobiliários no Brasil foi mais moderado no terceiro trimestre de 2025, diante da pressão da inflação no setor de construção. É o que mostrou o Índice de Lançamentos Imobiliários (ILI). Desenvolvido pelo DataZAP – área especializada em inteligência de dados do Grupo OLX – o novo indicador monitora os projetos desde o pré-lançamento até a entrega das chaves em 11 regiões brasileiras e, no terceiro trimestre, os preços dos lançamentos subiram 1,73%, ficando ligeiramente abaixo do Índice Nacional da Construção Civil (INCC), que registrou alta de 1,98% no período.

Isso ajudou a reduzir o volume de lançamentos em algumas regiões, tornando a dinâmica regional bastante desigual. Enquanto cidades como Rio de Janeiro e Campinas registraram valorizações expressivas, outras capitais, como Belo Horizonte e Fortaleza, tiveram quedas de preços.

O preço médio dos lançamentos no país chegou a R$ 12.565 por metro quadrado. Porto Alegre permanece entre os mercados mais caros, com R$ 16.461 por metro quadrado, seguida por Curitiba com R$ 14.833. Mas o maior destaque ficou com o Rio de Janeiro, cujo preço mediano avançou 15,07%, com o metro quadrado atingindo R$ 14.387. Campinas vem logo atrás, com valorização de 11,65%.

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Disparada

Segundo Gabriela Domingo, especialista em inteligência de mercado do Grupo OLX, os dois mercados têm motores distintos. Em Campinas, o impulso veio principalmente dos produtos mais econômicos, que valorizaram cerca de 18%. Já no Rio de Janeiro, o movimento tem origem no aumento da demanda nos segmentos de médio-alto padrão e luxo.

“Quando há mais lançamentos em faixas de preço mais elevadas, o valor médio tende a subir. Isso reflete maior confiança do setor e uma demanda aquecida entre compradores de maior poder aquisitivo”, explica Gabriela.

São Paulo desacelera

Por outro lado, mercados fortes como São Paulo registraram queda trimestral de 1,03%, mas ainda segue como o maior e mais aquecido mercado do país, com 123 mil unidades lançadas em 12 meses. No trimestre, a cidade registrou preço médio de R$ 12.884 por metro quadrado, uma valorização anual de 5,70%.

Segmentos de médio-alto e alto padrão também foram responsáveis pelo avanço paulista, com altas de 6,49% e 6,41%, respectivamente. Já os imóveis econômicos subiram 4,14%.

Juros altos

Apesar de o crédito continuar caro, o setor segue mostrando resiliência, segundo Gabriela. Ela explica que os juros pesam, mas de forma desigual. “Financiamentos mais caros afetam especialmente os imóveis de médio e alto padrão. Já os segmentos econômico e de luxo têm mostrado demanda aquecida”, afirma.

O comportamento do mercado no trimestre confirma a avaliação, com modelos econômicos e unidades de luxo puxando os índices de forma positiva.

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Tendências

O ILI mostra que mercados como Rio de Janeiro, Porto Alegre e Belo Horizonte devem seguir atraindo incorporadoras interessadas em projetos de maior valor agregado. Esse movimento tende a se intensificar com a reformulação das regras do crédito habitacional, anunciada em outubro.

“A nova estrutura deve impulsionar lançamentos voltados à classe média e estimular compradores de renda mais alta”, diz Gabriela. Além disso, o mercado já trabalha com a expectativa de queda da Selic no primeiro trimestre de 2026, o que pode baratear o crédito a partir do 2º ou 3º trimestres do próximo ano e impulsionar novas ondas de lançamentos.

Veja as mudanças no crédito habitacional:

Anna França

Jornalista especializada em economia e finanças. Foi editora de Negócios e Legislação no DCI, subeditora de indústria na Gazeta Mercantil e repórter de finanças e agronegócios na revista Dinheiro