Jovens de SP se preocupam mais com dívidas do que nova-iorquinos

Uma das explicações é o fato de os seus pais terem vivido em uma época de grande inflação e problemas econômicos

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SÃO PAULO – Os jovens universitários da cidade de São Paulo estão mais preocupados com a gestão do próprio dinheiro e com a contração de dívidas do que os jovens de Nova York, de acordo com com pesquisa efetuada pelo professor da FGV–SP (Fundação Getulio Vargas de São Paulo), Wesley Mendes da Silva, em parceria com a professora da Buffalo State College, Jill Norvilitis.

Segundo o professor da FGV, o comportamento dos pais pode acabar influenciando as decisões e a maneira dos filhos de lidarem com as finanças. “Existem pesquisas que apontam para o contágio ‘intergeracional’, ou seja, hábitos dos pais passado para os filhos”, afirma Silva. “Por isso, achamos interessante analisar o papel dos pais no nível de educação financeira desses jovens”, continua.

Uma das explicações para a maior preocupação dos jovens paulistanos com as dívidas é o fato dos seus pais terem vivido em uma época de grande inflação e problemas econômicos que o Brasil enfrentou até 1994, antes do Plano Real. “Talvez por terem vivido este período, os pais tenham um comportamento mais cuidadoso com o dinheiro”, afirma Silva.

Mais endividados
A pesquisa também mostrou que os pais dos jovens norte-americanos possuem mais dívidas do que os pais dos brasileiros. De qualquer maneira, tanto os jovens de lá quanto os de cá não pretendem seguir o exemplo de seus pais na condução das finanças pessoais. “Eles não acham que os pais são um bom modelo para seguir neste aspecto”, diz Silva.

Além disso, o professor ressalta que os jovens de São Paulo – e também os de Nova York – não tiveram educação financeira durante o ensino básico. “Eles não aprenderam a lidar com o dinheiro na escola”, diz.

Pesquisa
Os dados adiantados pelo professor da FGV fazem parte de uma série de pesquisas que serão efetuadas com jovens de São Paulo, Nova York e da China. “Estes dados divulgados agora são preliminares, a pesquisa está em fase final de tabulação”, afirma Silva. “É um projeto em andamento e nos próximos 3 anos teremos os resultados de estudos científicos”, completa.

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Para este levantamento, foram feitas 34 perguntas diretas para cerca de 1.250 jovens universitários, com idades entre 20 e 26 anos. A maior parte (62%) era de São Paulo e os outros 38%, de Nova York.


Coordenador de conteúdo educacional do InfoMoney, ganhou 3 vezes o prêmio de jornalismo da Abecip