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A elevação do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), proposta pelo governo federal e agora restabelecida pela decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, deixou os gastos de brasileiros no exterior mais caros e acentuou ainda mais as desvantagens de alguns meios de pagamento na hora de gastar fora do Brasil.
Para simular gastos no exterior de US$ 1 mil e US$ 10 mil, o InfoMoney consultou Gustavo Moreira, planejador financeiro e especialista em investimentos, e Carlos Castro, planejador financeiro CFP pela Planejar. Veja as simulações abaixo:
Conta internacional
Grosso modo, ao transferir US$ 1 mil, equivalente a cerca de R$ 5,6 mil, da sua conta corrente para a conta internacional, a alíquota de IOF cobrada será de 3,5%, ou R$ 196,00. Já na transferência de US$ 10 mil, ou cerca de R$ 56 mil, da sua conta corrente para a conta internacional, o IOF cobrado, à alíquota de 3,5%, será de R$ 1.960,00. Mas esse cálculo não termina aqui.
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Isso porque, em contas internacionais, a instituições tradicionalmente cobram o chamado spread cambial, isto é, uma taxa a mais sobre o câmbio. As melhores opções de conta internacional no mercado têm spreads entre 0 e 2,5% – taxas baixas comparadas às do cartão de crédito, que podem chegar a 10%.
Usando como exemplo o spread cambial cobrado pela por uma instituição de 0,80% e um câmbio de R$ 5,65, você teria que pagar R$ 5,69 por dólar (em vez de R$ 5,65). Ou seja, para comprar US$ 1 mil, seriam necessários quase R$ 5,7 mil, sobre os quais incidiram 3,5% de IOF, ou R$ 199,15. Já para converter US$ 10 mil seriam necessários quase R$ 57 mil, sobre os quais incidiram 3,5% de IOF, ou R$ 1.991,50.
Nas contas internacionais, o IOF só é cobrado automaticamente na hora da conversão da moeda, ou seja, no momento do depósito. As compras feitas no exterior com o saldo já convertido não sofrem nenhuma incidência de IOF novamente, ou seja, você gasta com base no saldo já convertido, sem cobrança adicional do tributo.
Cartão de crédito
O cartão de crédito é a opção mais onerosa para quem vai gastar no exterior, segundo os especialistas. Isso porque, além da cobrança de IOF de 3,5% sobre o valor da compra, existe a incidência de spread cambial elevado, que pode variar entre 4% e 7% sobre o dólar comercial.
US$ 1 mil
Uma compra de US$ 1 mil usando um cartão de crédito internacional emitido no Brasil, adotando câmbio de R$ 5,65 e spread cambial de 5%, terá custos extras superiores a R$ 500 (cerca de R$ 300 em spread cambial e R$ 200 em IOF). Veja abaixo:
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| Spread cambial de 5% | R$ 5,65 × 1,05 = R$ 5,9325 (cotação final aplicada pelo cartão) |
| Valor convertido | US$ 1.000 × R$ 5,9325 = R$ 5.932,50 |
| IOF de 3,5% sobre R$ 5.932,50 | R$ 5.932,50 × 3,5% = R$ 207,60 |
| Total da compra em reais | R$ 5.932,50 + R$ 207,60 = R$ 6.140,10 |
US$ 10 mil
Já uma compra de US$ 10 mil usando um cartão de crédito internacional emitido no Brasil, adotando câmbio de R$ 5,65 e spread cambial de 5%, terá custos superiores a R$ 5 mil (cerca de R$ 3 mil em spread cambial e R$ 2 mil em IOF). Veja:
| Spread cambial de 5% | R$ 5,65 × 1,05 = R$ 5,9325 (cotação final aplicada pelo cartão) |
| Valor convertido | US$ 10.000 × R$ 5,9325 = R$ 59.325,00 |
| IOF de 3,5% sobre R$ 59.325,00 | R$ 59.325,00 × 3,5% = R$ 2.076,37 |
| Total da compra em reais | R$ 59.325,00 + R$ 2.076,37 = R$ 61.401,37 |
Dinheiro em espécie
A primeira desvantagem da compra da moeda em espécie para gastos no exterior é a insegurança, especialmente em casos de perda, roubo ou extravio de bolsas e bagagens.
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Anteriormente, os riscos de carregar dinheiro na mala eram compensados por uma alíquota de IOF menor, de 1,1%, mas que agora subiu para 3,5%.
Na casa de câmbio, ao comprar US$ 1 mil (R$ 5,6 mil), a alíquota de IOF incidida é de 3,5%, ou seja, R$ 196. Da mesma forma, ao comprar US$ 10 mil (cerca de R$ 56 mil), o valor cobrado de IOF será de aproximadamente R$ 1.960.
Contudo, os custos da compra de dólares em casas de câmbio não se limitam apenas ao IOF. Além do spread cambial praticado por essas instituições, algumas casas cobram taxas fixas ou percentuais adicionais sobre a operação, especialmente para valores muito baixos ou para serviços adicionais (como entrega em domicílio). Além disso, caso a compra de dólares seja paga com cartão de crédito ou débito, pode haver tarifas ou encargos do banco.
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E qual a modalidade mais vantajosa?
Pensando em previsibilidade e segurança, as contas globais e os cartões do tipo travel money são as melhores opções para gastar no exterior.
“Eles são práticos, têm um câmbio bem mais justo e lhe ajudam a ter controle total dos seus gastos. Você carrega antes, já sabe quanto pode usar e evita surpresas com variação do dólar depois. Além disso, são bem seguros, muito melhor do que andar com dinheiro vivo ou depender só do cartão de crédito, que costuma sair mais caro”, pontua Gustavo Moreira.