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SÃO PAULO – Pesquisa divulgada pelo Banco Central mostrou que um fator de importância para a redução dos spreads* bancários e, conseqüentemente, dos juros cobrados ao consumidor é a própria inadimplência dos tomadores de empréstimo. Conforme o estudo, sozinho, o calote comprometeu em 2006 quase metade de todo o custo, somando exatamente 43,4% da captação.
Ocorre que, em 2001, conforme o levantamento, essa proporção era menor, de 30,7%. “Em 2006 houve acréscimo na importância do componente associado à inadimplência, reflexo do maior volume de crédito em atraso verificado naquele ano”, afirmaram técnicos do órgão no documento de divulgação.
Evolução
O compulsório (valor que os bancos recolhem ao BC) responde por 4,7%, enquanto que o custo administrativo responde por 16,9%. Veja a evolução desses três itens no período de seis anos:
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| Evolução | ||||||
| Componente | 2001 | 2002 | 2003 | 2004 | 2005 | 2006 |
| Custo administrativo | 16,8% | 14,7% | 19,5% | 19,8% | 17,2% | 16,9% |
| Inadimplência | 30,7% | 31,2% | 31,7% | 34% | 35,9% | 43,4% |
| Compulsório | 9,7% | 12,2% | 6,5% | 7% | 5% | 4,7% |
fonte: Banco Central
Vale lembrar que, de qualquer maneira, a última nota de política monetária divulgada pelo BC mostrou que a inadimplência nas operações de crédito ao consumidor atingiu 13,4% em junho, o que representa uma queda de 0,4 ponto percentual em relação a maio e de 0,9 ponto percentual à registrada no mesmo mês de 2006.
Maior do mundo
A Confederação Nacional das Indústrias (CNI) fez análise estimando que, em março deste ano, essa diferença na captação era de 38% para as pessoas físicas e de pouco mais de 13,5% para as jurídicas. Em fevereiro de 2000, as proporções eram de, respectivamente, algo em torno de 65% e pouco mais de 30%.
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O próprio ministro da Fazenda, Guido Mantega, admitiu recententemente, em audiência pública realizada no Congresso Nacional, que o spread brasileiro é um dos mais altos do mundo.
Entenda
De acordo com pesquisa realizada pela Fundação Procon, em julho, os juros do cheque especial e do empréstimo pessoal praticados pelos dez maiores bancos do País eram de 8,23% mensais e de 5,29% ao mês, respectivamente.
As altas taxas, os spreads e as tarifas bancárias foram motivos de discussão em diversas audiências públicas realizadas no Congresso Nacional. Os encontros ganharam repercussão após a consultoria Austin Rating mostrar que a receita com tarifas bancárias cresceu quase oito vezes desde o Plano Real.
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*(diferença entre a taxa que o banco cobra ao emprestar os recursos ao cliente e a taxa que ele paga ao adquirir o dinheiro)