Inadimplência deve oscilar nos próximos meses, mas continuará elevada

De acordo com economista, o indicador apresentará bastante volatilidade, mas dificilmente terá queda brusca

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SÃO PAULO – De acordo com o economista da Nobel Asset Management, Paulo Val, a inadimplência de pessoas físicas no Brasil deve oscilar nos próximos meses, mas continuará em patamares elevados.

Com base em dados divulgados pelo Banco Central, na quinta-feira (23), ele afirmou que a inadimplência registrou uma certa estabilidade em março, embora este dado ainda seja uma forte preocupação.

“Isso, na verdade, é uma questão difícil. Provavelmente, não vamos ter um desempenho uniforme. O que vamos ter é muita volatilidade do indicador, mas dificilmente vamos ter uma queda brusca. A inadimplência vai continuar num patamar alto ao longo do ano”, explicou ele.

Concessão de crédito

Quanto à concessão de crédito para a pessoa física, ele afirmou que dificilmente alcançará os níveis dos últimos anos, mas que a participação dos bancos públicos nesse indicador foi bastante importante.

“Continuamos a observar uma redução tanto na taxa de juros quanto nos spreads [diferença de taxa de captação e aplicação dos bancos[ para pessoas físicas, afetados pela redução da taxa Selic, mas também pelo aumento da participação de bancos públicos no total de empréstimos”.

Modalidades

Os dados do BC mostraram uma desaceleração do crescimento das linhas mais caras de crédito, como o cheque especial e o cartão de crédito, na comparação da média móvel trimestral com o mesmo período do ano passado.

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Por outro lado, a concessão de linhas mais correlacionadas ao consumo apresenta quedas menores, nesta mesma comparação. “De fato, ao fazermos o ajuste sazonal dessas linhas, já verificamos alguma recuperação nos últimos meses”, afirmou.

Questionado sobre se a tendência pode estar relacionada a uma maior educação financeira do consumidor brasileiro, que escolhe linhas de crédito menos onerosas, em detrimento das mais caras, Val disse que não. “Em geral, essas linhas mais caras são mais emergenciais, com acesso pré-aprovado. Então, a gente vê aumento dessas concessões, quando o crédito das outras linhas está restrito, o que foi verificado no fim do ano passado”.