Inadimplência: aumento deverá ser moderado no ano que vem

De acordo com o economista da ACSP, Marcel Solimeo, a tendência se deve ao aumento do crédito e endividamento em 2007

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SÃO PAULO – De acordo com o economista da ACSP (Associação Comercial de São Paulo), Marcel Solimeo, após a inadimplência ter se mantido estabilizada este ano, a tendência é de um aumento moderado em 2008.

“Se não houver nenhuma surpresa desagradável, como na taxa de juros ou na economia internacional, a expectativa é essa. Apenas no começo do ano, entre março e abril, deve haver uma alta considerável, o que é normal e causada pelas compras de Natal”, explica Solimeo.

Inclusões e exclusões

Entre janeiro e novembro de 2007, o número de registros recebidos pelo SCPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito) aumentou 17,86%, indo de 369.429 para 435.404. Na comparação entre novembro de 2006 e deste ano, houve crescimento de 11,76% e no acumulado dos onze primeiros meses de 2007, frente ao ano anterior, de 7,25%.

Por outro lado, os registros cancelados do SCPC tiveram um incremento de 19,81%, passando de 276.515 em janeiro deste ano para 331.294 em novembro. Em relação ao penúltimo mês de 2006, a alta foi de 12,2% e no acumulado do ano, de 6,55%, resultados próximos aos dos recebimentos.

Cheques

Segundo informações do Sistema Usecheque, a quantidade de cheques sem fundos registrados no Banco Central caiu 16,39% entre janeiro e novembro de 2007, de 2,835 milhões para 2,371 milhões. Já na comparação entre o décimo primeiro mês de 2006 e deste ano, a queda foi de 17,89% e, no acumulado do ano, de 17,47%.

No entanto, o número de cheques sem fundos excluídos do Banco Central diminuiu 25,44% entre o primeiro e o penúltimo mês deste ano, passando de 3,394 milhões para 2,530 milhões. Em novembro de 2007, frente ao mesmo mês de 2006, a redução foi de 19,51% e nos onze primeiros meses do ano, houve decréscimo de 6,94% em relação a 2006.

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Para o economista da ACSP, o cheque ainda terá vida longa, por ser um instrumento prático para o pagamento das compras e contas. Em relação à inadimplência, Solimeo afirma que ela deve se manter estável em 2008, apesar do aumento verificado nos últimos meses.

Crédito

De acordo com Marcel Solimeo, como o crédito e o endividamento dos brasileiros cresceram muito este ano, é preciso muito cuidado em 2008, para que a inadimplência não dispare.

Além disso, o presidente da ACSP, Alencar Burti, acredita que o forte endividamento do consumidor em 2007 poderá limitar um pouco a expansão do crédito, embora ainda haja espaço para o crescimento dos financiamentos.

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Cadastro Positivo

Quanto ao Cadastro Positivo, o economista afirma que o impacto sobre a inadimplência não seria instantâneo. Se aprovado no final do primeiro semestre, por exemplo, só causaria algum efeito no final do ano.

“Não é só aprovar a lei, é preciso informar e sensibilizar a população, para que as pessoas autorizem a divulgação de seus dados sobre o crédito”, argumenta Solimeo.

“Esperamos poder contar, no próximo ano, com a aprovação da legislação sobre o cadastro positivo, que permitirá a diferenciação das taxas de juros em função do histórico do consumidor, e contribuirá para a redução do custo dos financiamentos”, finaliza o presidente da ACSP.