Filhos: veja os perigos do consumismo infantil

Quando pais não impõem limites na hora das compras, crianças podem se tornar adultos sem controle financeiro, materialistas e superendividados

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SÃO PAULO – Chega final de ano e as famílias saem às ruas para comprar os presentes de Natal e, como de costume, levam as crianças para os shoppings e centros comerciais. É nessa hora que se percebe um problema enfrentado por diversos pais e mães, o consumismo infantil.

Elas berram e choram para chamar a atenção e mostrar que a nova boneca ou o carrinho que acaba de ser lançado são realmente importantes e devem ser comprados, mas quando passa o Natal, o esquecem no armário e partem para um outro objeto de desejo.

Os pais devem ficar atentos quanto a este comportamento dos filhos. O consumismo pode parecer atitude de criança e passa despercebido em algumas famílias. Mas, na verdade, os pais precisam atentar a este hábito e ainda saber quais os perigos que trazem.

Adulto desequilibrado financeiramente

As crianças devem ser criadas com limites, mesmo porque, na fase adulta, não contarão com nenhum auxílio constante e deverão andar com as próprias pernas. Além disso, quando adultos, elas ganharão o próprio dinheiro, o que pode ser um problema para as crianças que não souberam o quanto podiam gastar.

Os limites impostos quando se é criança refletem no futuro. Uma criança que tinha todos os brinquedos que queria, pode se descontrolar financeiramente quando adulto, já que pensa nas próprias vontades e não no que é realmente necessário para que viva com o orçamento equilibrado.

Superendividamento

O consumismo em exagero é o grande causador do superendividamento, que atinge os brasileiros que não se controlam diante de um cenário de alta oferta de crédito e facilidades na quitação os débitos.

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O desequilíbrio das finanças faz com que muitas pessoas recorram ao crédito e a financiamentos, muitas vezes sem saber se realmente poderão arcar com os juros no futuro.

O consumismo infantil se relaciona com esta questão quando pensamos que o descontrole e uma criança que tem tudo o que pede pode virar um adulto que faz de tudo, mesmo não podendo, para conseguir o que deseja.

Adultos materialistas

Segundo o autor José Moraes, em “Sociedade do Espetáculo”, por meio do consumo, a criança se coloca em determinada tribo, se identifica e entende sua posição social, ou seja, ela depende do que consome.

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A base do consumismo infantil pode ser percebida nas relações entre os pais e as crianças. Os adultos saem de casa para trabalhar e só chegam no final da noite, com um ritmo de vida muito diferente dos filhos. Para compensar a ausência, dão mesadas cada vez maiores aos filhos, sem ensinar o verdadeiro valor do dinheiro, o que os estimula a comprar.

Esta prática pode afetar as relações dos pais com os filhos, o que traz impactos emocionais para a criança e ainda pode formar pessoas materialistas, caso o diálogo em casa seja defasado.