Filhos: quando colocar um ponto final na mesada?

Quando entram para o mercado de trabalho, eles começam a ter certa independência financeira e a gerar conflitos na família no que se refere ao futuro da mesada

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SÃO PAULO – Começar é fácil. Uma vez que as crianças consigam realizar operações simples de aritmética, recomenda-se que os pais devem dar toda semana uma renda suficiente para os gastos na lanchonete da escola. A quantia vai aumentando conforme a idade dos filhos. Aos 8 ou 10 anos, é possível incluir despesas com revistas, figurinhas, e outros pequenos gastos comuns da idade.

Na pré-adolescência, surge a entrada do cinema e, ao invés de dar mesada uma vez por semana, é possível efetuar o pagamento apenas no começo do mês, o que força a criança a planejar melhor seus gastos.

Por volta dos 16 anos, os filhos já devem controlar sozinhos seus gastos e ter relativa liberdade com relação a sua cesta de consumo. Nessa fase também é importante reforçar o sentido da poupança e seus benefícios no longo prazo. No período da faculdade, no entanto, o assunto torna-se bem complicado. Ainda mais quando eles começam a trabalhar de verdade e ter sua própria renda.

Passando para a vida adulta

No Brasil os filhos começam a trabalhar de verdade bem cedo, em comparação com famílias de mesma renda no mundo desenvolvido. Na faculdade, muitos decidem arrumar o primeiro estágio logo no início e tomam gosto pelo trabalho. Outros preferem ter uma vida de estudante e pensar em entrar para uma empresa só no finalzinho, antes de se formar. Tudo depende também da carreira escolhida.

Estudantes de administração, publicidade, computação e economia geralmente podem começar mais cedo por estudarem apenas meio período. Já os de engenharia e arquitetura só conseguem pensar em trabalho ao redor do quarto ano, quando estão mais livres e contam com uma carga horária menor na universidade. Os de medicina, por sua vez, demoram muito mais para receber seu primeiro salário e só vão ficar totalmente independentes lá pelos 30 anos.

Existe um outro perfil de estudante que decide ficar de fora do mercado de trabalho e prefere seguir a carreira dentro da universidade. Começam as primeiras pesquisas no segundo ano da graduação, conseguem uma bolsa de iniciação científica e partem para um mestrado sem ter ao menos tido o gostinho de ter um chefe mal humorado ou passado por entrevistas e dinâmicas de grupo em processos seletivos.

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Com relação ao salário, cada carreira oferece planos de remuneração distintos, e dependendo da empresa escolhida, muitos trabalham de graça. É o caso de algumas empresas de publicidade, que não pagam nada aos estagiários, mas são consideradas verdadeiras jóias nos currículos dos estudantes. Temos, então, um quadro bastante heterogêneo, mesmo levando em conta famílias de classe média e alta.

E o que acontece com a mesada?

Não existe uma regra geral para todas as famílias. Obviamente cada uma apresenta níveis de renda distintos e convive com realidades bem diferentes. Mas é possível chegar a um acordo geral sem grandes conflitos. Em tese, os filhos devem ter uma renda suficiente para cobrir suas despesas correntes e ainda uma parte para servir de poupança. Tanto faz se vem dos pais ou do próprio trabalho. Isso é o que deve ser levado em consideração pelas famílias antes de tomar qualquer decisão.

A maior dificuldade é saber quando diminuir a mesada e deixar o filho “se virar” com seu próprio dinheiro. Como já foi mencionado, cada carreira exige um certo grau de amparo financeiro da família. Não se deve esquecer que os gastos continuam crescendo durante a faculdade. Os filhos começam a dirigir, assumem gastos com gasolina, impostos e saem para comer fora mais vezes, fazem viagens mais sofisticadas.

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Portanto, não é de uma hora para outra que eles devem se ver privados de certo conforto. Especialmente os que estão trabalhando em tempo integral. O ideal é estabelecer um certo padrão de gastos e ir diminuindo a mesada conforme vai crescendo o salário do estudante. Lembre-se também que o nível de gastos varia de uma cidade para outra.

Fazendo as contas

Em São Paulo, por exemplo, para ter um bom nível de conforto é necessária uma renda de cerca R$ 1,5 mil, sem contar as despesas com moradia e gastos com a faculdade. Nesse valor estão incluídas as despesas médicas, os custos de transporte e impostos, seguro do automóvel, mensalidade da academia, alimentação, curso de idiomas e lazer.

Nesse sentido, fica mais fácil estabelecer o valor da mesada fornecida pela família. Se o estudante trabalha e recebe o equivalente a R$ 1.000 por mês, o valor a ser adicionado pelos pais é de R$ 500. Note que juntando esses dois valores, é preciso ter o suficiente para passar todo o mês e quem sabe até economizar um pouco para as férias no verão, ou mesmo para trocar de carro.

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O importante é que seu filho(a) administre sozinho(a) sua vida financeira, principalmente no que refere às despesas burocráticas como, por exemplo, seguro saúde e seguro do automóvel. Desse modo, o estudante tem um maior contato com a realidade material de uma família e aprende a ser mais responsável com o próprio dinheiro.

Em um determinado momento, ele atingirá a independência financeira e já não será preciso depositar todos os meses a mesada na sua conta. Claro que não é preciso fechar a torneira e negar qualquer centavo aos filhos só porque eles já têm uma renda própria. Dependendo das condições da família e da boa vontade dos pais, pode ser interessante financiar alguns gastos adicionais dos filhos (como uma viagem ao exterior), ou ajudar na compra de um imóvel, ou início de um pequeno negócio, principalmente quando essas despesas forem uma espécie de investimento para o futuro.