Evasão e inadimplência no ensino superior podem cair com pacotes de vantagens

Medida é sugestão do diretor administrativo da UCB; inadimplência no setor é de 22,5% só em SP

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SÃO PAULO – De acordo com o diretor administrativo da UCB (Universidade Católica de Brasília), Leonardo Nunes Ferreira, as instituições de ensino superior devem, antes mesmo de abrir um curso, pensar em medidas para minimizar o problema da evasão e da inadimplência. Para ele, elas precisam oferecer um “pacote de vantagens” que faça os alunos se sentirem amparados.

“Precisamos garantir a sustentabilidade financeira da instituição, mas também temos que nos preocupar em manter o aluno”, diz. Segundo Ferreira, a evasão começa a diminuir quando o aluno percebe valor na sua formação:

“No Brasil, é mais fácil uma pessoa fazer um financiamento de automóvel e comprometer boa parte de sua renda com as prestações, do que pensar em investir em educação. Precisamos tentar reverter essa cultura.”

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Inadimplência

A inadimplência nas universidades privadas de São Paulo atingiu 22,5% em 2007, o que representa uma queda de 3,02%, ou 0,7 ponto percentual, frente ao montante registrado em 2006.

Para o presidente do Semesp (Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior do Estado de São Paulo), Hermes Ferreira Figueiredo, apesar da redução verificada em 2007, o patamar da inadimplência continua alto, o que pode ameaçar a sustentabilidade financeira do setor, responsável por mais de 74% das matrículas do Ensino Superior brasileiro. “Um setor que depende exclusivamente do pagamento de mensalidades dos alunos não pode sobreviver com uma inadimplência tão alta”, afirma.

Nunes Ferreira concorda e acrescenta: “as altas taxas de evasão e inadimplência podem comprometer a viabilidade de uma instituição como um todo”. Segundo ele, a UCB tem duas opções de financiamento para tentar minimizar o problema: empréstimo consignado pelo Banco BMG e crédito educativo da Ideal Invest.

“Oferecemos um seguro educacional sem ônus para o aluno, em que caso ele ou a pessoa responsável pelo pagamento da mensalidade perder o empregou ou falecer, o aluno poderá continuar estudando. Além disso, implantamos recentemente uma política de benefícios que quanto mais o aluno contrata créditos, mais descontos ele tem; e para manter o desconto, ele tem que pagar em dia. Resultado disso é que em julho deste ano, temos mais créditos contratados que no início do ano”, diz.

Outras instituições

A PUC-SP é outra instituição que procura auxiliar os alunos com dificuldades financeiras. Assim como grande parte dos estabelecimentos educacionais privados, a Universidade oferece um programa de bolsas que avalia não só a condição financeira do aluno, mas também seu rendimento acadêmico.

“A Bolsa Doação é concedida para estudantes com renda per capita inferior a três salários mínimos, mas que tenham bom rendimento acadêmico”, diz Cleide Canhadas, supervisora do programa, cujo desconto varia de 50% a 100%.

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Pesquisa realizada pela ABMES (Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior) revelou que 91% das instituições privadas oferecem algum tipo de bolsa auxílio ou desconto para seus alunos.

O estudo, realizado em 2004, ouviu 211 instituições de ensino superior. À época, 182.943 estudantes da região metropolitana de São Paulo eram beneficiados com programas de bolsa ou descontos pelos estabelecimentos da amostra, o que se extrapola para 886.407 alunos em âmbito nacional.

Novos alunos

Iniciativas como as da UCB e da PUC realmente ajudam a manter os alunos nos bancos acadêmicos e a atrair novos estudantes. Entretanto, apesar de atingir grande parte das instituições, o número de beneficiados ainda é insuficiente.

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De acordo com o Sindata (Sistema de Informações) da Assessoria Econômica do Semesp (Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior no Estado de São Paulo), o número de alunos matriculados, somente em instituições de ensino superior na região metropolitana de São Paulo, é de 686 mil. Contudo poderia ser de cerca de 717 mil, se tivesse mantido o mesmo nível de crescimento do ano de 2004.

Segundo o presidente do sindicato, as principais causas para o recuo seriam a saturação do mercado e a falta de mais alternativas para o financiamento estudantil.

“Até 2003, o setor cresceu em ritmo acentuado em virtude da demanda reprimida das classes A e B (…) Com o atendimento da demanda das classes A e B, o caminho para o segmento continuar crescendo tem sido por meio dos alunos oriundos das classes C e D. Porém, a falta de poder aquisitivo desse público dificulta o ingresso no ensino superior, gerando estagnação do mercado”, explica Figueiredo.