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SÃO PAULO – O endividamento das famílias brasileiras já representa 40% da massa de rendimentos do trabalho e dos benefícios pagos pela Previdência Social, segundo levantamento realizado pela LCA Consultores. O nível é recorde, segundo o economista Wemerson França, que realizou o estudo.
Os números mostram que, em dezembro de 2005, as dívidas dos consumidores com cartões de crédito, cheque especial, financiamento bancário, crédito consignado, empréstimos para compra de veículos e imóveis (incluindo os recursos do Sistema Financeiro da Habitação) representaram 20% da renda dos brasileiros.
Ao todo, os brasileiros devem R$ 653,019 bilhões, considerando os valores de abril. O valor é 1,45% maior que o registrado em março, de R$ 643,671 bilhões e 24,72% maior que o montante devido em abril de 2010, quando a dívida estava em R$ 523,580 bilhões.
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Para sanar o débito, cada brasileiro precisaria entregar uma renda equivalente a 4,8 meses de trabalho. Em abril do ano passado, eram necessários 4,3 meses.
Medidas macroprudenciais
O percentual foi crescendo ao longo dos anos, principalmente em 2009. O pico, de acordo com o economista, veio por conta das medidas macroprudenciais do Banco Central para desacelerar o consumo. “O principal motivo desse endividamento é o encarecimento do crédito”, afirma o economista.
Para o economista, as medidas já mostraram os seus efeitos. “Agora, os impactos que teremos é com relação aos juros, que devem continuar subindo e encarecendo o crédito”, avalia França.
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14% são juros
A elevação dos juros, tanto por conta das medidas do Banco Central, como devido ao aumento do aperto monetário, está ganhando cada vez mais peso nas dívidas dos brasileiros. O levantamento mostra que 14% da renda dos brasileiros está comprometida com o pagamento de juros, excluindo as dívidas com cartão de crédito e cheque especial.
Esse percentual é maior que o valor da parcela principal da dívida, sem considerar os juros. Nesse caso, 9% da renda dos brasileiros está comprometida com o pagamento dessa parcela – também excluindo as dívidas com cartões de crédito e cheque especial.
Sem bolhas
O aumento do endividamento, na avaliação do economista, não mostra que o Brasil poderá ver uma bolha de crédito, já não há movimentos de especulação.
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Para ele, além do aumento dos juros, a falta de educação financeira contribui para a elevação do endividamento. “Se a educação financeira fosse feita de uma maneira correta, os consumidores não tomariam mais crédito. Agora, o melhor é esperar”.