Publicidade
SÃO PAULO – Usar o cartão de crédito para financiar as compras pode ser uma jogada perigosa. As administradoras de cartões e bancos cobram juros altíssimos e apesar do consumidor sair cheio de sacolas do shopping, ele corre o risco de levar junto para casa um amontoado de dívidas. Isso porque a média dos juros cobrados pelas instituições é de 10,48% ao mês, o que no final de um ano representa uma taxa de 230,68%.
Se você é daqueles que sempre usa o cartão para girar suas dívidas no rotativo, tome muito cuidado para não dar um passo maior que a perna. Se você deixar de pagar uma fatura de R$ 1 mil e os juros forem de 10,00% ao mês, o saldo devedor crescerá para R$ 1.100,00 em apenas um mês. Seis meses depois, o buraco já terá passado para R$ 1.771,56. Estes cálculos não consideram o pagamento de multa caso o valor mínimo da fatura não seja pago, mas apenas os juros rotativos. Assim mesmo é suficiente para dar uma boa noção do efeito arrasador dos juros no seu orçamento.
Consumidor pode fugir dos juros altos
Alguns bancos, no entanto, estão efetuando uma estratégia agressiva e oferecendo juros mais baixos para ganhar novos clientes. O HSBC, por exemplo, paga a sua dívida com a operadora de cartão de crédito e re-financia seu saldo com um desconto de 10% e oferece uma taxa de juros 6,9% ao mês, o que é bastante interessante para quem paga um juro de 10,00% ao mês. No caso acima, com a transferência para o HSBC, a dívida passaria para R$ 900,00 e mesmo se você não pagar nada durante o primeiro mês, o saldo devedor ficaria em R$ 962,10, isto é, R$ 137,90 a menos. Estes valores estão isentos da multa por atraso de 2%, que incidiria em ambos os casos e por isso mesmo foi desconsiderada.
Continua depois da publicidade
A American Express, por sua vez, oferece uma taxa ainda menor para quem transferir o saldo devedor para sua empresa, um produto chamado de Transfer Balance. O cliente paga um juro de 5,95% ao mês durante de seis meses. Após esse período, os juros voltam a subir para 10,95%, taxa cobrada para todos os cartões pela Amex. O limite máximo para essa transferência vai depender de uma série de dados cadastrais do cliente, como a renda mensal e o histórico da inadimplência do consumidor.
Se os cálculos forem feitos para o Amex, o saldo devedor depois de um mês seria de R$ 1.059,50 com os juros promocionais. Seis meses depois, se não for quitado nenhum real do saldo, a dívida ficaria em R$ 1.414,50. Com o programa do HSBC, o saldo devedor depois de seis meses seria de R$ 1.343,10, portanto, mais atrativo para o bolso do consumidor.
Santander oferece juros decrescentes
Outra alternativa para pagar juros menores é oferecida pelo Banco Santander, com o SuperCartão. O cliente precisa ser maior de 21 anos, e pode escolher a data de vencimento de acordo com suas preferências. Além das vantagens comuns, como os bônus que podem ser trocados por prêmios ou milhagens com a Varig, a grande vantagem para o consumidor são os juros decrescentes, que incentivam o consumidor a parcelar suas compras no cartão.
Mesmo com os juros rotativos relativamente altos, de 11,9%, você se beneficia por uma redução nos juros cobrados quanto menos usar o seu limite, isto é, quanto mais parcelar suas compras no cartão. Portanto quem parcelar apenas 30% pagará juros de 80% da taxa básica acima, isto é, 9,52%. Já se você parcelar de 70-95% da sua fatura então pagará juros mais baixos, cerca de 50% da taxa básica ou 5,95% ao mês.
Os juros são oferecidos porque a operadora também se beneficia com o parcelamento das suas contas, já que tem mais tempo para pagar à loja. Vale lembrar que se usar o crédito rotativo para financiar parte da fatura perde o direito aos juros regressivos.
O limite do cartão varia de 70% a 80% da renda do cliente e os três primeiros meses têm anuidade gratuita.
Consumidor deve evitar parcelamento nesse Natal
Mesmo com as vantagens de juros menores que o de mercado, o consumidor deve procurar pagar as despesas no Natal à vista e pedir desconto por isso. O segredo é não gastar mais do que pode, evitando entrar em 2002 com o orçamento estourado. Apesar dos descontos, as taxas continuam altas, e todo o cuidado é pouco. Se não houver planejamento e controle dos gastos, as chances de começar um ano novo no vermelho são bastante altas. Mas se você já está atolado em dívidas com cartão, a re-negociação com desconto no saldo e nos juros, certamente é o melhor presente de Papai Noel que você poderia pedir.