Dá para pensar em pagar benefício social com real digital no futuro, diz presidente da Caixa

Rita Serrano vê muitas oportunidades de uso do CBDC no crédito imobiliário, incluindo aprovações burocráticas mais ágeis

Equipe InfoMoney

Fonte: iStock/Getty Images

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Rita Serrano, presidente da Caixa, afirmou que a participação do banco no piloto do real digital, a CBDC (sigla em inglês para Moeda Digital do Banco Central) brasileira, visa a contribuir para colocar o Brasil na linha de frente da digitalização financeira, mas também foca na inclusão social.

“Dá para pensar em pagar benefícios sociais com moeda tokenizada no futuro”, disse no lançamento oficial do consórcio com a Elo e a Microsoft para participar do piloto do real digital, uma iniciativa do Banco Central.

A presidente acrescentou que há muitas oportunidades no crédito imobiliário. “Financiamento habitacional demora, em média, 25 dias até chegar o registro em cartório. Tem condições de agilizar e melhorar o atendimento.”

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Segundo Serrano, o banco tem uma vantagem nos testes do real digital que é a grande capilaridade pelos municípios brasileiros. “A Caixa está em 99% dos municípios brasileiros. Tem 155 milhões de clientes. É um grande celeiro para testar soluções”, disse a presidente.

Júlio Gomes, vice-presidente de Serviços Financeiros da Microsoft Brasil, disse que, atualmente, o projeto está em fase de desenvolvimento de sistemas para que possa ser acoplado à plataforma que o BC criou para os testes.

“A partir daí, os times também estão trabalhando nos produtos que vão ser criados em cima dessa rede. Tem a soluções mais tradicionais, como tokenizar alguns ativos para reduzir fricções e custos no sistema financeiro, mas tem soluções fora da caixa”, disse, reforçando que o consórcio pretende ir além das diretrizes obrigatórias do piloto coordenado pelo regulador.

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Inovação radical

À frente do projeto na Caixa, Marcos Brasiliano, vice-presidente de Controladoria e Finanças, afirmou que o projeto do real digital deve provocar uma inovação radical das transações financeiras, ao contrário de outras agendas tecnológicas, como o Pix, que melhoraram operações que já existiam. “O real digital, quando lançado, vai romper com o modelo tradicional”, disse na cerimônia.

O piloto da CBDC brasileira começou em março e, atualmente, os consórcios selecionados pelo BC estão em fase de desenvolvimento de sistemas para dar início de fato aos testes, previsto para setembro.

Estão confirmadas nos testes 16 instituições e seus parceiros:

Categorias de ativos

O BC vai registrar três categorias de ativos neste ambiente:

Embora o Real Digital ganhou força como nome mais conhecido da versão virtual do dinheiro, o BC deu nomenclaturas específicas diferentes para separar o funcionamento de cada ativo no ambiente digital que está sendo criado.

A proposta inicial é fazer testes simulados com compra e venda de títulos públicos para avaliar o funcionamento da infraestrutura do Real Digital e a privacidade das transações. O cronograma prevê que os testes com os títulos do Tesouro devem acabar no próximo ano.

Nessa primeira etapa, o BC vai focar na segurança da plataforma nas operações entre o real digital e os depósitos tokenizados das instituições financeiras, que vão possibilitar o acesso da população a transações com contratos inteligentes, por exemplo.

*Com Estadão Conteúdo.