Crise ainda terá mais efeitos na inadimplência, diz economista da ACSP

De acordo com Marcel Solimeo, se desemprego continuar crescendo, inadimplência subirá já em meados de abril e maio

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SÃO PAULO – A inadimplência está crescendo desde o final do ano passado, não de maneira explosiva, mas ainda deve refletir mais fortemente os efeitos da crise, conforme afirmou o economista-chefe da ACSP (Associação Comercial de São Paulo), Marcel Solimeo.

Dados divulgados na segunda-feira (16) mostraram que, pelo menos nos primeiros quinze dias de março, os consumidores estão com dificuldades em recuperar crédito. Questionado sobre os motivos para isso, Solimeo citou a renegociação mais complicada e o desemprego.

“O credor não tem a mesma facilidade que tinha há pouco tempo para oferecer ao consumidor. Está muito mais difícil, com prazo de captação mais curto e juros mais altos. E o consumidor está mais retraído. Quem perdeu emprego não vai renegociar e o que está inseguro vai esperar, porque fazer uma renegociação é ter outra dívida”, explicou.

Reflexos estão por vir

Em relação à inadimplência identificada, Solimeo afirmou que a maioria dos débitos foram realizados antes da crise, uma vez que o cadastro da entidade tem relação de dívidas dos últimos cinco anos. “A crise pode ter provocado aumento na inadimplência”, concluiu.

Porém, de acordo com ele, mais efeitos estão por vir. “A crise começou em outubro, mas em outubro ela não estava tão presente. Então, em abril e maio é que vamos ter mais reflexos. Vai ser maior [a inadimplência] pelo desemprego, se ele não estabilizar ou continuar crescendo”, disse.

Sobre o restante do ano, Solimeo falou que o desempenho da inadimplência vai depender dos desdobramentos da economia ou “se o Banco Central vai conseguir fazer o crédito fluir e se o desemprego vai se manter estável”.