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SÃO PAULO – Tomar dinheiro emprestado, sempre dentro dos limites, para adquirir bens ou serviços que melhorem sua possibilidade de ganhar mais dinheiro no futuro é melhor do que para comprar bens de consumo. Mas, diante disso, como fica a decisão que muitos brasileiros enfrentam: carro ou casa?
Embora a maioria reconheça que ter uma casa própria é mais importante do que ter um carro, a decisão não é tão simples. Em primeiro lugar, comprar um carro pode ser mais fácil ou mais rápido, já que o valor envolvido é menor. Além disso, ainda existe quem dê muito mais importância ao “status” que um carro novo pode trazer.
Carro ou casa?
Mesmo quando o crédito é obtido para a compra de bens duráveis, como automóveis, por exemplo, você deve triplicar os cuidados. Ainda que se possa argumentar que o carro é fundamental para se aceitar um emprego mais distante, ou até funcione como instrumento de trabalho para profissionais que trabalham com vendas, o problema é que, em geral, ocorre erto exagero.
Que o brasileiro é louco por carro ninguém nega. Para ir ao trabalho, por exemplo, bastaria um modelo popular novo e econômico. Mas, a maioria acaba optando por modelos mais potentes, mesmo sabendo que no trânsito das grandes cidades essa potência de pouco servirá.
E não é só isso. Ainda que a taxa cobrada nos financiamentos de carros seja relativamente mais baixa com relação a outras formas de crédito ao consumo, ela é, sem dúvida, maior do que a embutida no financiamento imobiliário.
Analise o potencial
Um ponto fundamental a ser analisado é o potencial de valorização. Ao contrário de imóveis, que podem ter seu preço valorizado com o tempo, o mesmo não acontece com o carro, que perde valor logo de cara. Nesse sentido, o carro se aproxima dos demais bens de consumo, ou seja, perde valor rapidamente.
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Carro não é investimento, mas sim despesa, e as despesas com carro aumentam quase em direta proporção com o seu valor. Automóvel também não pode ser considerado como investimento porque, na hora da venda, você sempre sai perdendo (recebe menos do que pagou pelo bem).
Já para imóveis, o potencial vai depender muito de sua escolha. Bons imóveis em regiões com potencial tendem a se valorizar, o que pode permitir que, no futuro, você seja capaz não só de recuperar o dinheiro investido, incluindo os juros do financiamento, mas também ganhar dinheiro.
Vale lembrar que o objetivo não é argumentar que crédito imobiliário é sempre bom, mas simplesmente ilustrar que é mais positivo do que aquele levantado para a compra de carro.
Qual a situação atual?
Apesar do crédito imobiliário se mostrar mais positivo que o financiamento de um carro, pelas razões mencionadas acima, é preocupante constatar que a maioria dos brasileiros levanta crédito para a compra de um carro, antes mesmo de tentar financiar a sua casa própria.
Sem dúvida, a impossibilidade de se abater os juros do crédito imobiliário do imposto a pagar reduz o aspecto positivo desse tipo de financiamento, no confronto com outros países, mas não acaba com ele por completo.