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SÃO PAULO – A facilidade na contratação e os prazos mais longos colaboraram para a expansão do mercado de crédito nos últimos anos. De acordo com a Febraban, mesmo com a desaceleração prevista para 2008 e 2009, os números do setor seguem positivos.
No entanto, com as projeções para os principais índices de inflação sendo revisadas para cima pelos agentes financeiros, a acomodação do ritmo de expansão do crédito aparece como uma das medidas a serem tomadas, com o objetivo de reduzir o consumo e, conseqüentemente, os preços, com o equilíbrio entre oferta e demanda.
Problema ou solução?
Uma das formas de desacelerar a expansão, como já foi sinalizado pelo Governo em algumas ocasiões, seria a diminuição dos prazos das operações. De acordo com o economista-chefe da Febraban, Nicola Tingas, essa medida traria mais problemas do que soluções. “Diminuindo o prazo, as parcelas ficarão mais caras, o que pode levar a um maior endividamento da população, principalmente daqueles que dependem do crédito para comprar”, explicou.
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De acordo com a pesquisa Febraban de Projeções e Expectativas de Mercado, divulgada nesta semana, 90% dos bancos participantes acreditam que o prazo médio das operações de crédito não deveria ser objeto de regulamentação por parte do Bacen.
A princípio, as conversas sobre diminuição do prazo aconteceram por conta de um medo do Governo de que o crédito facilitado, popularizado e alongado pudesse virar uma bolha com o tempo, com as pessoas cada vez mais inadimplentes e sem condições de honrar com suas dívidas.
Para o economista da Febraban, desde a chamada crise do subprime nos Estados Unidos, a gestão dos bancos está bastante severa com relação à concessão de crédito. “A inadimplência, inclusive, não preocupa no curto prazo”, disse Tingas.
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Racionalidade econômica
Estudo recente do professor do Ibmec SP, Domingos Rodrigues Pandeló Júnior, sobre o comportamento do tomador de crédito, mostra que os brasileiros se preocupam mais com o valor da parcela do que com os juros que incidem sobre o financiamento. Ou seja, com prazos mais alongados, mesmo pagando muito mais pelo bem ou serviço ao final, o que importa é se a prestação mensal cabe no bolso.
Segundo Pandeló, os indivíduos têm demonstrado uma grande falta de racionalidade econômica, que os impede de avaliar a melhor opção na hora de tomar o crédito. Para ele, a falta de cultura financeira é um dos principais motivos deste comportamento. “Estabelecer mecanismos, regras e campanhas para esclarecer sobre a importância do crédito consciente pode evitar problemas no futuro”, indica Pandeló.
“O crédito no Brasil ainda tem muito espaço para crescer, mas é preciso avaliar em que ritmo, para que não comprometa a capacidade econômica do País nem a saúde financeira da população”, conclui o professor.
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Crédito consciente
Para controlar o orçamento, analise, em primeiro lugar, a real necessidade da tomada de crédito. Pondere se a compra é apenas um desejo impulsivo ou se é possível adiar esse prazer imediato.
Se o crédito for realmente inevitável, compare taxas de juros entre as instituições financeiras, pois o percentual, em uma mesma modalidade, pode variar bastante de um banco para outro, conforme mostra a última pesquisa do Procon-SP, que considera duas modalidades de crédito (empréstimo pessoal e cheque especial).
| Banco | Empréstimo Pessoal (a.m.) | Cheque Especial (a.m.) | ||
| Maio | Junho | Maio | Junho | |
| HSBC | 4,74% | 4,78% | 8,43% | 8,60% |
| Santander | 5,78% | 5,78% | 8,38% | 9,28% |
| Bradesco | 5,83% | 5,83% | 8,35% | 8,35% |
| Banco do Brasil | 5,60% | 5,90% | 8,15% | 8,30% |
| Caixa Econômica | 4,49% | 4,49% | 7,20% | 7,20% |
| Itaú | 6,39% | 6,39% | 8,42% | 8,42% |
| Safra | 5,90% | 5,90% | 11,79% | 11,79% |
| Nossa Caixa | 4,70% | 4,70% | 8,10% | 8,10% |
| Real | 5,90% | 5,90% | 8,90% | 8,90% |
| Unibanco | 6,59% | 6,45% | 8,39% | 8,39% |
| Média | 5,59% | 5,61% | 8,61% | 8,73% |
Fonte: Procon-SP
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Além disso, avalie as modalidades oferecidas no mercado. Compare juros, prazo, possibilidade de quitação antecipada… São variáveis importantes e que podem influenciar diretamente no valor da parcela e, principalmente, no valor final da compra.
E, finalmente, antes de tomar o crédito, avalie se poderá honrar com esse compromisso com o passar do tempo.