Crediário: uma ameaça a sua saúde financeira

Planejar os gastos e ter um amplo controle sobre o orçamento familiar pode garantir maior flexibilidade para o seu bolso

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SÃO PAULO – As dívidas fazem parte da rotina da maioria da população brasileira. Quase todo mundo financia o automóvel, a casa própria, entra em crediário para comprar a geladeira, o fogão, o microondas. Os carnês são tantos que fica difícil manter o controle dos pagamentos, é preciso, mais do que nunca, ser organizado. Afinal, para um orçamento apertado, as multas e os juros de contas atrasadas são um verdadeiro terror. Até o velho ditado “quem não tem dívidas, não progride” foi incorporado pelas pessoas.
Esse mito pode ser facilmente derrubado, pois o que de fato atrapalha as famílias na hora de comprar seus bens é a falta de planejamento. Discutir o orçamento familiar e encontrar soluções mais em conta deve ser o primeiro passo para evitar as dívidas. Saber o momento certo para adquirir uma mercadoria ou uma propriedade pode evitar o endividamento.
Brasil: o país dos juros

Ninguém agüenta mais ouvir que no Brasil os juros estão em um patamar estratosférico e que contrair dívidas é quase um suicídio dependendo da situação. Mesmo assim, as receitas de bancos, financeiras e lojas de varejo que vendem a prazo são relativamente elevadas. Ganhar dinheiro emprestando recursos a outras pessoas é uma atividade muito rentável.
Desse modo, não faz sentido algum reclamar que um bem acaba saindo mais caro na compra financiada. Os juros são pagos pelo dinheiro que você emprestou para poder comprar o bem à vista. Em um financiamento imobiliário, por exemplo, o banco lhe empresta uma certa quantia para que você possa comprar o imóvel à vista. O dono do imóvel recebe o dinheiro no ato da compra, e por outro lado, você continua pagando as prestações ao banco durante longos anos ao banco.
Priorizando suas necessidades

Juros são um ótimo negócio para quem empresta o dinheiro. Para ter um orçamento equilibrado e gozar de certa flexibilidade e independência financeira, precisamos minimizar nosso endividamento. Comprar a prazo somente quando realmente tivermos necessidade de algo. Nesse sentido, o interessante é estabelecer prioridades para as compras. Existe uma nítida diferença entre querer e precisar de um bem. Quando apenas queremos alguma coisa e essa necessidade não é imediata, por que não adiá-la? Comprar por impulso já é um grande erro. Por impulso e a prazo é um erro gravíssimo.
É óbvio que algumas coisas até valem a pena ser financiadas, como é o caso de um automóvel para poder trabalhar e a casa própria. No início de nossa vida profissional, nossa renda não costuma ser muito elevada, e como ainda não tivemos tempo suficiente para juntar um volume muito alto de dinheiro, os financiamentos são uma saída natural. Isso explica o que leva a quase todas as pessoas financiarem um automóvel e o apartamento.
Pressa: inimiga da população

Elaborar um plano de gastos é fundamental para colocar ordem em suas contas. Devemos concentrar nossas energias na quitação das dívidas, o que trará um fôlego maior para seu orçamento. O endividamento deve estar próximo de zero. Somente os itens de maior importância e de grande valor podem ser comprados através de financiamento. Se você não pode comprar à vista, espere um pouco.
Pressa e a ansiedade não combinam com orçamento familiar. Durante o planejamento das finanças de sua casa, tente ser o mais sensato possível e encontrar a hora certa de comprar um bem. Na compra de uma geladeira, por exemplo, o preço à vista chega a ser bem menor que aquele cobrado em financiamento. Ao invés de entrar no crediário, aguardar seis meses e juntar um pouco mais de dinheiro é uma alternativa muito mais viável. Planejar o orçamento e fugir dos carnês acaba sendo uma estratégia bastante inteligente.