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12 marcas de escova progressiva foram testadas pela Proteste - e nenhuma passou

Em contato com os olhos, o formol pode causar lacrimejamento, visão embaçada e, em altas concentrações, até danos irreversíveis

cabelo progressiva chapinha
(Shutterstock)

SÃO PAULO - Cabelos lisos, brilhantes e sem nenhum fio arrepiado é o sonho das pessoas que se submetem às a escovas progressivas. O problema é que muitos consumidores não sabem ou têm uma vaga ideia dos malefícios do formaldeído, o famoso formol, a todo o organismo, e não somente aos cabelos. 

No caso da progressiva, o formol pode causar até queda de cabelo, dependendo de sua concentração. Em contato com a pele, o produto causa irritação, vermelhidão dor e queimaduras. Em contato com os olhos, dor, lacrimejamento, visão embaçada e, em altas concentrações, até danos irreversíveis.

A inalação do formol pode provocar câncer no aparelho respiratório, dor de garganta, tosse, redução da frequência respiratória e sensibilização do trato respiratório. A exposição crônica, por sua vez, causaria reação alérgica, debilidade da visão e aumento do fígado. 

Para preservar a saúde dos usuários e dos cabeleireiros que trabalham com essas substâncias diariamente, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) determina que a concentração de formol máxima nas escovas progressivas seja de 0,2%. Nesta quantidade, o formol atua como conservante e não tem capacidade de alisar os cabelos.   

Será que as escovas progressivas respeitam esse limite? A Proteste, entidade de defesa do consumidor, decidiu enviar as 12 marcas mais vendidas do mercado de cosméticos com a proposta de alisar os cabelos para serem analisadas em laboratório. A notícia ruim é que foram encontradas irregularidades em todas elas.

Foram testadas 12 amostras de marcas diferentes. Confira: 
• Zap All Time
• Gloss Profissional 
• Maria Escandalosa
• Portier - Exclusive
• Portier - Unique
• Foreverliss
• Probelle
• G Hair- Tratamento capilar marroquino
• G Hair – Fórmula Original Alemã
• Etnik Brasil
• Madamelis
• Maria Glamurosa

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Veja os resultados

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Como o teste foi feito:
A segurança das escovas progressivas foram avaliadas através dos seguintes parâmetros:
• Rotulagem
Para a avaliação da rotulagem, foi verificado se os produtos estão regulares na Anvisa, ou seja, devidamente notificados e se há a presença de todas as informações obrigatórias. 

Também foi verificado se as informações estavam legíveis, permitindo o entendimento correto por parte do consumidor. Por fim, a Proteste avaliou se os produtos traziam algum contato para atendimento ao consumidor, como SAC. 

• Dosagem de formaldeído
Nesta análise, foi verificado se os produtos traziam o formaldeído na formulação e em que quantidade. Para a dosagem do formaldeído, cada produto foi submetido à análise por espectrofotometria UV-VIS. Trata-se de uma técnica analítica que utiliza a luz para medir a concentração de substâncias em soluções, através dainteração da luz com a matéria.

• pH
O pH de cada produto foi obtido utilizando um pHmetro (aparelho usado para medição de pH).

Irregularidades
O teste comprovou irregularidades em todos os produtos testados, sendo a concentração de formaldeído acima do permitido a mais grave encontrada. No entanto, outros pontos também merecem destaque:

• A Probelle e a Portier Unique não contêm formol além do permitido, contudo não indicam a substância no rótulo que deveria, portanto, estar ausente. Dos 12 produtos testados, somente essas duas apresentaram pH abaixo do recomendado (pH 1.8, quando o mínimo recomendado é de 2,5), o que pode não somente danificar os fios como irritar o couro cabeludo e a pele. 

• O produto G Hair Marroquino traz na sua composição a substância ácido glioxílico e orienta a secagem do cabelo com secador e prancha. No entanto, a Anvisa afirma que não existem dados que comprovem a utilização segura do ácido glioxílico em produtos alisantes e/ou submetidos a tratamento térmico. 

• O produto Gloss e o G Hair estavam com suas notificações vencida e cancelada, respectivamente. Logo, não poderiam estar disponíveis no mercado. 

Segundo a Proteste apenas duas marcas se mostraram opções seguras: Probelle e Portier Unique. Contudo, ambas precisam acrescentar na lista de ingredientes o formaldeído e devem ser utilizadas de acordo com as instruções do rótulo, dado o baixo pH.

Em relação aos outros produtos que apresentaram quantidade de formol muito acima do permitido, a Proteste informa que será solicitada a retirada do mercado dessas marcas. 

 

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