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A capacidade de reagir na hora do aperto faz parte da rotina dos brasileiros, mas essa postura nem sempre significa ter um planejamento financeiro de fato. Uma pesquisa da seguradora MetLife, divulgada na última quarta-feira (7), mostra que o brasileiro sofre de “paradoxo da preparação”: embora 68% dos entrevistados confiem que vão dar um jeito caso apareça uma emergência, só 36% se sentem realmente preparados para lidar com seu maior receio no bolso.
O levantamento ouviu 4.373 pessoas e 497 executivos no Brasil, no Chile e no México. No recorte brasileiro, que contou com 1.460 pessoas e 151 gestores das classes A, B e C que têm o hábito de guardar dinheiro, a confiança em resolver imprevistos fica sete pontos percentuais acima da média da região.
Na prática, as estratégias para se proteger no dia a dia variam bastante. Segundo os dados, 55% dos brasileiros guardam dinheiro de forma ativa, 53% tentam evitar riscos e 25% pedem ajuda a parentes e amigos quando a situação aperta.
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Porém, um número importante se destaca: quando se trata da contratação de um seguro tradicional (aquele contrato formal em que você paga para ter uma garantia financeira em caso de problemas) é lembrada por apenas 15% das pessoas, marca abaixo da média dos vizinhos latino-americanos.
O medo de perder a independência financeira é um dos principais motivos por trás desse comportamento. A ideia de depender do dinheiro dos outros preocupa 53% dos brasileiros, resultado cinco pontos acima do indicador regional. Na mesma linha, 53% temem o diagnóstico de uma doença cara e 46% se preocupam em ficar sem renda por um período longo.
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Ao Infomoney, Gustavo Romero, vice-presidente comercial do canal Xcelerator e head de novos negócios da MetLife no Brasil, disse que essa diferença entre confiança e preparação revela uma característica bastante interessante do consumidor brasileiro.
“Nossa leitura é que, no Brasil, proteção ainda está muito associada à capacidade de resolver o problema quando ele acontece, e menos a uma preparação estruturada antes que ele aconteça”, diz.
O peso do bolso
A decisão de contratar um seguro ainda esbarra em algumas barreiras de preço e praticidade, de acordo com a MetLife. Entre os entrevistados no Brasil, 29% acham o produto caro, 28% veem dificuldade no acesso, 22% acham que a solução é voltada para poucos e 19% consideram as regras complicadas demais.
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Para facilitar a vida do consumidor, a ideia do mercado é oferecer a proteção em lugares que a pessoa já frequenta na rotina. No país, 55% gostaria de ver opções de seguro no aplicativo do banco, 33% no momento de pedir um empréstimo e 25% em farmácias ou clínicas. Apenas 17% esperam ter que ir atrás dessa oferta por conta própria.
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Nesse sentido, já existe o método do embedded insurance (ou seguro integrado), em que a opção de proteção aparece diretamente durante a compra de outro produto ou serviço.
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“O brasileiro não está parado; ele já constrói diferentes formas de proteção. O ponto é que esses mecanismos nem sempre oferecem o mesmo nível de previsibilidade diante de um evento mais severo.”
No mercado brasileiro, 64% dos consumidores têm interesse nesse modelo e 78% das empresas consultadas no Brasil querem avaliar parcerias com seguradoras.
“O seguro não precisa substituir as alternativas que o brasileiro já utiliza, como poupar ou contar com a família, mas pode ser um complemento importante para evitar que uma situação inesperada comprometa as finanças de todos”, complementa Romero.
O que as empresas buscam em novas parcerias
Fazer essa integração funcionar depende de regras claras entre as empresas parceiras. Entre as companhias brasileiras ouvidas, 70% deixam claro que fechar negócio exige contar com uma seguradora de confiança, número doze pontos percentuais superior ao registrado no restante da região.
A clareza nas regras comerciais também pesa para 52% das empresas no Brasil, enquanto 38% pedem um processo de implementação simples para o sistema.
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As preocupações também mudam de acordo com o setor. Os bancos digitais apontam que seus clientes temem dívidas acumuladas, fraudes e a perda de renda da família. No e-commerce, o maior receio é a dependência financeira, enquanto no setor de saúde a preocupação central é o custo de tratamentos para doenças graves.
Por fim, 56% dos brasileiros valorizam proteções pensadas para a sua faixa de renda ou momento de vida, marca cinco pontos acima da média da América Latina. Já as coberturas voltadas para passeios, viagens e eventos têm a preferência de 30% do público nacional.
“O embedded insurance muda a forma como o seguro chega até as pessoas. Em vez de esperar que o consumidor procure uma proteção, a ideia é oferecer essa solução no momento em que ela faz mais sentido para ele, em canais do seu dia a dia e com empresas de credibilidade por trás”, conclui Romero.
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