E piorar contaminação

Como o surto do coronavírus pode aumentar número de falências das famílias norte-americanas

27 milhões de americanos não têm acesso aos serviços de saúde. Gastos podem somar US$ 10 mil

(Crédito: Envato)
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SÃO PAULO – Sem um sistema de saúde público e universal, o impacto causado pelo coronavírus na vida dos americanos pode surtir efeitos para além da saúde.

O surto da COVID-19 representa um grande desafio ao serviço de saúde do país, que já registrou 11 mortes por conta da doença. Com uma população de 27 milhões de pessoas sem plano de saúde, apenas os laboratórios dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), agência de pesquisa em saúde pública ligada ao Departamento de Saúde e Serviços Humanos , estão realizando o teste para detectar a doença – ou designar outros local para realizar o procedimento – de forma gratuita.

O órgão emitiu novas diretrizes, em funcionamento a partir da primeira semana de março, que desoneram o valor do teste de coronavírus para qualquer pessoa que tenha sintomas semelhantes aos da gripe.

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Mas os custos típicos da assistência médica do país são altos, mesmo com a gratuidade do teste. Osmel Martinez Azcue, morador de Miami, que se internou no hospital com sintomas de gripe depois de voltar aos Estados Unidos de uma viagem de trabalho à China, relatou ao The Miami Herald gastos de US$ 3.270, incluindo tomografia, internação e viagem de ambulância.

O mesmo ocorreu com Frank Wucinski, como revelou o The New York Times. O americano que morava em Wuhan foi levado de volta aos EUA junto com sua filha para quarentena numa estação aérea em San Diego, na Califórnia, e durante o período levado ao Hospital Infantil Rady em San Diego duas vezes para tratamentos de isolamento que duraram três ou quatro dias, cada um ordenado pelos Centros de Controle de Doenças.

Wucinski e sua filha deram negativo para o vírus, mas quando chegaram à casa da mãe de Wucinski após a quarentena foram recebidos com as contas do hospital de suas estadias, que somavam US$ 3.918.

Ambos os pacientes pensaram que seus custos seriam cobertos. O plano de Azcue informou que o valor foi reajustado para US$ 1.400 e um porta-voz do hospital dizer ao Times que a conta de Wucinski foi enviada por engano e que ele não precisaria pagar, mas 28% dos americanos entre 18 a 65 anos sem seguro de saúde já tiveram problemas para pagar contas médicas no ano passado, de acordo com um relatório do CDC.

Essa porcentagem cai para 18% para aqueles com Medicare e 11% para aqueles com seguro privado, conta o Business Insider.

Durante o atendimento ainda existe a possibilidade de cobranças extras, situação que atinge um em cada seis pacientes que utilizam a emergência ou um hospital americano, conforme um estudo da Kaiser Family Foundation (KFF), fundação que se debruça sobre questões de assistência médica no país e o papel dos EUA na política global de saúde. As contas podem exceder os US$ 10.000 se os atendimentos ocorrerem fora da rede de assistência do seguro.

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Dados do Federal Reserve apontam que metade das famílias americanas possui 4.500 dólares ou menos em contas correntes e poupança a partir de 2016. Se essas pessoas precisarem de tratamento para suspeita de coronavírus, talvez o valor não seja suficiente para cobrir os custos.

Uma conta desse tamanho poderia acabar com suas economias completamente ou, pelo menos, causar um grande impacto nelas.

Em 2009, após a crise econômica, o American Journal of Public Health revelou que 66,5%, dos 1,4 milhão de superendividamentos eram relacionados a problemas médicos. Atualmente, o percentual varia de 26% a 57%, mas ainda aponta para o efeito dos custos altos que o americano médio gasta com saúde.

Em entrevista ao Business Insider, o advogado Simon Goldenberg alertou que o coronavírus pode causar um aumento nesse índice. “Mesmo com uma renda estável, uma conta médica de emergência de milhares de dólares pode ser uma luta a ser enfrentada”, disse ele.

Os grandes custos médicos podem resultar numa maior propagação do vírus, considerando que as pessoas podem evitar o tratamento por razões financeiras. Para impedir esse movimento, o governador de Nova York, Andrew Cuomo, emitiu uma diretiva exigindo que as seguradoras de saúde de Nova York renunciem ao compartilhamento de custos associado ao teste do novo coronavírus.

Nacionalmente, o deputado Ruben Gallego está trabalhando para apresentar um projeto de lei que concederá elegibilidade automática a todos os americanos para cobertura emergencial do Medicaid  (programa de saúde social dos Estados Unidos para famílias e indivíduos de baixa renda e recursos limitados) e dos custos de testes e tratamento da Covid-19.

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