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SÃO PAULO – A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de aumentar a taxa básica de juros de 21% ao ano para 22% ao ano não chegou a surpreender o mercado, que esperava um aumento até maior, para compensar a alta da inflação. Em contrapartida, os comerciantes certamente não gostaram da notícia, que pode vir a prejudicar ainda mais as vendas deste Final de Ano.
O presidente da ACSP (Associação Comercial de São Paulo), Alencar Burti, não está tão pessimista, acreditando que se o dólar recuar dos patamares atuais, então é provável que as previsões de aumento de 1,5% nas vendas no Natal se confirmem. Burti lembra que o comerciante que não for criativo na hora de vender, através da oferta de preços mais baixos, ou formas de pagamento melhores, terá dificuldades.
Prazo pode cair
Como forma de impulsionar as vendas neste Final de Ano, apesar do alto patamar dos juros, muitos comerciantes optaram pelo alongamento dos prazos de pagamento. O aumento dos prazos permite uma redução das prestações, que caberiam mais facilmente no orçamento dos consumidores.
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Contudo, é possível que, diante do aumento da taxa de juros básica da economia, os comerciantes sejam forçados a rever sua estratégia de alongamento dos prazos, chegando inclusive, em alguns casos, a reduzi-los. Isto porque, diante do aumento dos juros, o risco de inadimplência aumentaria, de forma que a redução dos prazos seria forma de se proteger desta situação, já que como a própria Associação Comercial de São Paulo já constatou a inadimplência aumenta à medida que os prazos aumentam.
A decisão não prejudicaria somente os consumidores, que teriam que arcar com prestações mais caras, mas também os próprios comerciantes. O economista da Anefac (Associação Nacional de Executivos de Finanças e Administração e Contabilidade), Miguel Oliveira, lembra que a redução dos prazos é ainda mais desfavorável ao comércio do que o aumento dos juros.
Peso maior no orçamento
Ainda de acordo com a Anefac, os juros médios cobrados nos crediários ficaram em 6,63% ao mês em outubro. Caso o reajuste de um ponto percentual da Selic seja repassado integralmente ao consumidor, isto implicaria um aumento de oito pontos base na taxa mensal, que passaria a ser de 6,71% ao mês.
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Em termos de custo na prestação, o impacto acaba sendo pequeno. Por exemplo, em um financiamento de uma geladeira de R$ 1 mil em 12 parcelas, a prestação aumentaria de R$ 123,4 para R$ 123,96, ou seja, uma diferença de apenas R$ 0,56 ou R$ 6,75 durante todo o financiamento.
Em contrapartida, a redução do prazo do financiamento de 12 meses para 9 meses, por exemplo, para a mesma taxa de 6,63% ao mês, implicaria um aumento do valor da prestação de R$ 123,4 para R$ 151, uma diferença de R$ 27,5. Apesar disto, o custo final da compra financiada seria menor, já que no financiamento em 12 parcelas a geladeira sairia por R$ 1.481 e na compra em 9 parcelas sairia por R$ 1.359, ou seja, uma diferença de 9% ou R$ 122! Ainda que gastando mais com juros, muitos consumidores optam pelo financiamento mais longo, pois não têm como arcar com a prestação mais elevada.