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SÃO PAULO – A portabilidade de crédito, possibilidade de o devedor movimentar o empréstimo de uma instituição para outra em busca de juros menores, cresceu 70 vezes desde sua criação, em dezembro último. Naquele mês, o Banco Central registrou 28 operações, enquanto que, em julho deste ano, o total foi de 1.723.
Para se ter uma idéia, o total movimentado passou de R$ 300 mil para R$ 18,9 milhões nesse intervalo de tempo. O maior volume, contudo, foi verificado em abril, quando 676 operações geraram transferências de R$ 134,8 milhões em saldo devedor.
Evolução
Conforme dados do BC, é possível verificar que o número de ocorrências não teve ligação direta com o volume negociado. Veja:
InfoMorning
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| Comportamento da portabilidade | ||
| Mês | Quantidade | Valor movimentado |
| Dezembro/2006 | 28 | R$ 300 mil |
| Janeiro | 77 | R$ 7,8 milhões |
| Fevereiro | 276 | R$ 3,1 milhões |
| Março | 513 | R$ 6,3 milhões |
| Abril | 676 | R$ 134,8 milhões |
| Maio | 602 | R$ 80,8 milhões |
| Junho | 950 | R$ 117,9 milhões |
| Julho | 1.723 | R$ 18,9 milhões |
Fonte: Banco Central
Pontos negativos
De qualquer maneira, o mecanismo, conforme a Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Pro Teste), ainda pode trazer mais prejuízo do que lucro para o consumidor que não pesquisar. O motivo é a tarifa de quitação antecipada de empréstimo.
“Em vez da pessoa conseguir transferir o crédito do jeito que ele foi contratado, é necessário encerrar o acordo com uma instituição para abrir com outra”, explicou recentemente o economista Leonardo Diz, gerente da área de informações e serviços da entidade.
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Exemplo de impossibilidade
Como exemplo, a Pro Teste citou pesquisa sobre levantamento parecido: o pagamento antecipado do crédito para a compra de um carro. As tarifas cobradas em geral são um percentual do saldo devedor, variando de 3% (limitado a R$ 500, na Nossa Caixa) a 8% (Banco do Brasil).
Supondo que uma pessoa compre um automóvel de R$ 30 mil em 48 meses, dando uma entrada de 20% e financiando R$ 24 mil, com juros mensais de 2%. No 36º mês, foram pagos R$ 28.167,34.
Caso o consumidor decida pagar o restante antecipadamente, com o desconto dos juros, deverá desembolsar de uma vez pouco R$ 7.403. Caso mantenha o financiamento, no final arcará com quase R$ 9.389. Em outras palavras, com a quitação antecipada, o desconto seria de algo em torno de R$ 1.985.
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“Mas, com a cobrança da taxa de R$ 1 mil do Santander pela antecipação, por exemplo, o abatimento será de apenas R$ 985,90”, conclui a pesquisa.
Para a casa
Além da Pro Teste, a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) também se manifestou, afirmando que a medida não barateará os juros da casa própria. Atualmente, bancos cobram pelo financiamento feito com parcelas variáveis (incidência da taxa referencial) até 12% de taxa por ano.
O superintendente técnico da Abecip, Carlos Eduardo Fleury, em entrevista dada recentemente à InfoMoney, também criticou a necessidade de fechamento de um contrato e a abertura de um outro para garantir a operação. “Isso custa caro, porque é necessário passar novamente pelo registro de imóveis”, afirmou.
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Ordem é pesquisar
Diante desses exemplos, a orientação de especialistas no assunto é que o consumidor avalie o custo-benefício da troca para não perder dinheiro, ao invés de economizar.