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SÃO PAULO – Diversos dados já comprovaram que a expectativa de vida do brasileiro está aumentando. Porém, uma nova pesquisa realizada pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) revela que a quantidade de anos saudáveis é mais baixa no País, o que causa problemas econômicos à população, pela perda da capacidade de trabalho, e ainda sobrecarrega o sistema previdenciário, com pagamento de aposentadorias e pensões por invalidez.
Para se ter uma idéia, na análise de 11 países, o Brasil é aquele com maior perda de anos de vida saudáveis, com 13,5 anos para os homens e 11,1 para as mulheres. “Esse tipo de situação congrega fatores em que o sofrimento humano afeta a sociedade em múltiplas dimensões e causa problemas econômicos, devido à perda de capacidade para trabalhar”, relata o Ipea.
Os dados, divulgados nesta segunda-feira (22), fazem parte do estudo “Terceira Idade e Esperança de Vida: o Brasil no Cenário Internacional”, realizado pelo diretor do Ipea, Milko Matijascic, e pela pesquisadora do instituto, María Piñon Pereira Dias.
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Perda de anos saudáveis após os 60
A pesquisa mostra que a vida saudável após os 60 anos no Brasil é bem inferior à de países mais desenvolvidos ou da Argentina e México, por exemplo. Na tabela abaixo, é possível analisar a esperança de vida saudável após os 60 anos de idade para os países considerados no estudo:
| País | Homens (anos) | Mulheres (anos) |
| Finlândia | 15,7 | 18,9 |
| Estados Unidos | 14,9 | 16,6 |
| Espanha | 16,4 | 19,9 |
| Alemanha | 15,0 | 17,7 |
| Argentina | 13,0 | 16,5 |
| México | 14,5 | 16,3 |
| Rússia | 8,5 | 12,7 |
| Brasil | 9,4 | 13,0 |
| China | 12,7 | 14,2 |
| África do Sul | 10,6 | 12,1 |
| Índia | 9,7 | 10,2 |
Conforme revela o estudo, uma política de desenvolvimento do País deverá levar em conta esta situação. “Os custos com gastos sociais podem ser compensados por menores gastos com tratamentos médicos ou pessoal para cuidar dos doentes. Isso para não mencionar a necessidade de realocação do orçamento doméstico para prover cuidados, reduzindo a renda disponível para o consumo”.
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Dentre as conseqüências de um baixo índice de anos de vida saudáveis, está a redução da geração de riqueza, uma vez que a pessoa fica impossibilitada de trabalhar e pode requerer atendimento integral de outras pessoas. Além disso, há aumento de despesas com saúde e previdência.
Possibilidade de atingir os 65 anos
De acordo com os dados, a esperança de vida do brasileiro ao nascer é de 76 anos para as mulheres e de 68 anos para os homens. Entre 1970 e 2006, houve uma evolução 24,6% na expectativa de vida das brasileiras e de 19,3% entre os companheiros do sexo masculino. Nesses termos, o desempenho brasileiro pode ser comparado com o da China ou da Índia.
“Os números falam por si. Não resta dúvida de que a readaptação da infra-estrutura social e da própria sociedade representará um grande desafio, pois o envelhecimento pressupõe demandas que atingem, por exemplo, a saúde e a previdência, sem falar nas alterações necessárias nas habitações e nas próprias cidades”, afirma o estudo.
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Apesar do aumento da expectativa de vida, é bom ressaltar que mais de um terço dos homens e de um quinto das mulheres nascidos entre 2000 e 2005 não vão comemorar o aniversário de 65 anos de idade.