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SÃO PAULO – O cenário atual de alta inflação e de muita concorrência no mercado de crédito está levando o brasileiro a tomar um empréstimo mais consciente, de acordo com o executivo-chefe da Losango, Hilgo Gonçalves.
Ele explicou que a concorrência é uma característica muito forte do mercado de crédito, a qual leva os clientes, principalmente aqueles das classes C, D e E, a analisar melhor as diferentes propostas.
Outro ponto que incentiva a tomada de crédito consciente é o cenário atual de inflação e aumento das taxas de juros, que diminuem o poder de compra. “Com menos dinheiro, as pessoas são levadas a pensar melhor em como usar o dinheiro, ou seja, analisar o que é realmente necessário”, afirmou o executivo.
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Concessão restrita
De acordo com Gonçalves, para ajudar nessa tomada de crédito consciente, a financeira diminuiu o nível de renda que pode ser comprometido com a prestação do empréstimo, que era de 35% no ano passado e passou para 30% este ano.
“O objetivo da decisão foi reforçar que cada consumidor comprometa – em tomada de crédito – exclusivamente a parte de sua renda que possa pagar. Acreditamos que 30% é um patamar bem positivo”, afirmou.
Para o vice-presidente da Acrefi (Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento), José Arthur Lemos Assunção, a diminuição do nível de comprometimento de renda aceitável é uma medida que está sendo tomada pelo mercado, em meio a um cenário de inflação. “Já caiu o nível de comprometimento da renda, que era de 25% ou 30% no começo do ano, dependendo do produto, e chegou a 20% ou 23%”, afirmou Assunção.
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Cadastro positivo
Ainda segundo o executivo-chefe da financeira, o cenário atual reforça a necessidade de criação de um cadastro positivo. Enquanto a lista que mostra as informações de crédito dos brasileiro não é criada, a financeira criou então formas próprias de analisar ainda mais o perfil do consumidor e suas atitudes em relação à compra, como cartões de crédito.
A necessidade de criação do cadastro também é defendida pelo presidente da Equifax, empresa de soluções para gestão de risco, Marcelo Kekligian. De acordo com ele, para que o mercado mantenha o índice de inadimplência em níveis estáveis, é necessário ter acesso a ferramentas e informações que embasem, com total segurança, todas as decisões de tomada de crédito.
“Neste momento, é imprescindível a utilização do cadastro positivo, que possibilitará que o credor faça uma avaliação precisa do potencial de pagamento do tomador, bem como tenha conhecimento real de seu grau de endividamento”.