Cartões de crédito: será que realmente precisamos deles?

Cartões facilitam compras, mas podem prejudicar orçamento com acúmulo de dívidas e elevadas taxas de juros cobradas, que superam 230% ao ano

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SÃO PAULO – Sem dúvida, possuir um cartão de crédito traz muitas vantagens ao consumidor, que pode postergar o pagamento de uma compra ou da contratação de algum serviço, para o dia de pagamento da fatura, acertado com a administradora do cartão de crédito.

Além disso, é possível parcelar o pagamento em até seis vezes, dependendo das condições oferecidas pelo vendedor, e o consumidor fica isento de situações desagradáveis como consultas a serviços de proteção ao crédito, como ocorre no caso de pagamentos com cheques.

Dívida no cartão dobra em 7 meses

No entanto, outra “vantagem” que freqüentemente é anunciada pelas administradoras de cartões é a possibilidade de pagar apenas uma parcela da fatura no dia do vencimento, que varia entre 10% e 20%, e quitar o restante quando o cliente possuir condições.

No entanto, os juros cobrados pelas dívidas no cartão de crédito estão entre as mais altas do mercado, e atingiram o patamar médio de 10,58% ao mês em março, segundo dados da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade), o que equivale a 234% ao ano.

Para se ter uma idéia, o montante da dívida dobra a cada sete meses, como exemplificado na tabela abaixo, para uma dívida inicial de R$ 1 mil.

Período Cartão de crédito Cheque especial Crédito pessoal
1 mês R$ 1.106 R$ 1.089 R$ 1.060
2 meses R$ 1.223 R$ 1.186 R$ 1.123
3 meses R$ 1.352 R$ 1.291 R$ 1.190
4 meses R$ 1.495 R$ 1.406 R$ 1.261
5 meses R$ 1.653 R$ 1.531 R$ 1.336
6 meses R$ 1.828 R$ 1.667 R$ 1.416
7 meses R$ 2.022 R$ 1.815 R$ 1.501

Fontes: Anefac e Banco Central do Brasil

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Dessa forma, o consumidor precisa estar ciente de que existem outras formas de financiamento, como cheque especial e crédito pessoal. As taxas de ambas as opções ainda são bastante elevadas (8,89% e 5,97% ao mês em média), mas o gasto com pagamento de juros será menor.

Emoção versus razão

No entanto, para obter recursos através do crédito pessoal, é preciso dirigir-se ao banco ou a uma financeira e solicitá-lo, embora algumas instituições já forneçam crédito pré-aprovado a seus clientes. Isso não ocorre no caso do cartão de crédito, visto que o crédito está disponível durante todos os dias do ano.

Dessa forma, muitas pessoas acabam fazendo compras por impulso ou adquirem alguns itens que certamente pouca falta fariam, desestabilizando o orçamento doméstico ao levantar dívidas para compras muitas vezes guiadas pela emoção.
Nesta situação, uma das melhores dicas para quem está com déficit orçamentário, ou seja, gasta mais do que ganha, e até mesmo para quem costuma usar com muita freqüência o cartão de crédito, é traçar objetivos de forma racional e tentar alcançá-los na medida do possível.

Será que realmente precisamos de cartões de crédito?

Antes de tudo, é importante estabelecer o suprimento de prioridades, como vestuário, alimentação, transporte e lazer. Com o dinheiro restante, muitas vezes é possível também adquirir outros artigos que satisfaçam nossos desejos, mas nessa etapa é preciso ter frieza para não ser levado por impulsos consumistas e prejudicar todo o planejamento.

Nesse sentido, o cartão de crédito, se por um lado facilita o ato da compra, por outro acaba levando muitos consumidores a comprarem por impulso e passar por cima do planejamento financeiro, quando realizado.

Assim, para equilibrar sua situação financeira ou mesmo para conseguir poupar mais, cabe ao consumidor decidir se realmente é necessário utilizar cartões de crédito para todos os fins, ou restringir seu uso a emergências ou mesmo retirá-lo de sua carteira e constituir sua própria poupança, de modo a precaver-se de situações inesperadas.

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Além disso, o consumidor deve avaliar como a obtenção de vantagens no ato da compra e de outros benefícios fornecidos pelos administradores é compensada pelas elevadas taxas de juros cobradas.

Dessa forma, pare e repense qual a função do cartão de crédito e como ele afeta suas finanças pessoais: você deve chegar à conclusão de que muitas vezes o uso de cartões prejudica bastante seu orçamento, ao mesmo tempo que não conseguirá suprir todos seus desejos de consumo.