Faltam 11 dias

Carteira olímpica adiciona outros três ‘ativos’ que têm grande chance de medalha nos Jogos de Tóquio

Maior evento esportivo do planeta deveria ter acontecido no ano passado, mas foi adiado por conta da pandemia do coronavírus

Por  Olimpíada Todo Dia -

Os Jogos Olímpicos de Tóquio 2021 começam em 11 dias. O maior evento esportivo do planeta deveria ter acontecido no ano passado, mas foi adiado por conta da pandemia do coronavírus.

Atualizamos a carteira de atletas brasileiros que têm chance de medalha — seriam as blue chips se estivessem na Bolsa. Como as carteiras de ações publicadas pelas corretoras, a carteira de atletas reúne os esportistas que estão em momento de valorização — com base dos resultados das últimas competições.

A carteira é atualizada periodicamente, sempre que o cenário mudar. A publicação é feita pelos profissionais do site Olimpíada Todo Dia, especializado em notícias sobre esportes olímpicos, que fechou uma parceria com o InfoMoney para a cobertura dos Jogos.

Na semana passada, colocamos como boas opções os ativos Bruno Fratus, Vôlei Masculino, Skate Park feminino e Gabriel Medina. Hoje, listamos mais três: Alison dos Santos, do atletismo, Vôlei de Praia e Beatriz Ferreira, do boxe.

Alison, se fosse uma ação, estaria com o preço em máximas históricas, com tendência de alta em Tóquio. Já Beatriz não competiu tanto nesse ano, mas é mais do que favorita ao ouro olímpico no Japão.

Alison dos Santos, o Piu, é o principal nome do Brasil nos 400m com barreira para os Jogos de Tóquio-2021 (Wagner do Carmpo/CBAT)
Alison dos Santos, o Piu, é o principal nome do Brasil nos 400m com barreira para os Jogos de Tóquio-2021 (Wagner do Carmpo/CBAT)

Alison dos Santos (400m com barreiras)

Diferentemente do vôlei masculino e de Gabriel Medina, ativos olímpicos brasileiros listados na coluna na semana passada, Alison dos Santos é, para muitos, um nome desconhecido.

Isso não significa dizer que passará despercebido nos Jogos Olímpicos. Muito pelo contrário: se estivesse listado em Bolsa, seria, de maneira disparada, a ação do esporte olímpico brasileiro cujo preço mais subiu desde 2018. Com apenas 21 anos, a maior revelação do atletismo brasileiro segue voando na prova dos 400m com barreiras.

Conhecido como Piu, Alison fez uma temporada de 2019 excepcional, com apenas 19 anos. Vindo embalado com uma medalha de bronze no Mundial Sub-20 de 2018, o atleta foi campeão sul-americano adulto, panamericano sub 20, ouro nos Jogos Pan-Americanos de Lima 2019 e na Universíade.

Mais do que isso, Alison bateu sua melhor marca pessoal sete vezes dois anos atrás, melhorando-a em 1s50, além de quebrar sete vezes o recorde sul-americano sub 20.

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Nem a pausa nas competições causadas pela pandemia abalaram o velocista. Piu iniciou o ano olímpico em março com a meta de romper a barreira dos 48 segundos nos 400m com barreiras masculino — algo muito difícil, mas imprescindível para quem sonha com uma medalha olímpica. Pouco tempo depois, não só atingiu a meta como a dobrou.

Após ter levado uma medalha de ouro com 48s15 em um tradicional torneio de atletismo nos EUA em abril e ter ajudado o revezamento 4x400m misto (prova sem barreiras e na qual não é especialista) a conquistar a medalha de prata no Mundial de Revezamentos, Alison participou de um torneio nos EUA em maio e fez 47s68, quebrando assim o recorde brasileiro, que pertencia a Eronilde Araújo (48s04) desde 1995, e o sul-americano, que era do panamenho Bayano Kamani (47s84) desde 2005, levando a medalha de bronze.

Disparando na Bolsa de Valores olímpica, o atleta baixou o tempo mais duas vezes e levou duas pratas em maio e em junho: 47s57 na Etapa de Doha da Diamond League e 47s38 na Etapa de Olso. Poucos dias depois, fez incríveis 47s34, a 14ª melhor marca da história dos 400m com barreiras, e levou a medalha de ouro na Etapa de Estocolmo. Esse tempo, por sinal, lhe daria o título olímpico na Olimpíada do Rio em 2016.

Se você se pergunta o porquê dessas marcas todas não terem rendido a Piu somente medalhas de ouro, a resposta é simples. Existe um jovem talento norueguês que é o favorito disparado a levar a medalha dourada nos 400m com barreiras em Tóquio: Karsten Warholm.

Atual bicampeão mundial da prova, o norueguês de 25 anos credenciou-se ainda mais ao topo do pódio após bater o recorde mundial da prova no dia em que Alison foi bronze com os 47s68. Warholm superou por oito centésimos os 46s78 obtidos pelo americano Kevin Young na Olimpíada de Barcelona-1992, quase 29 anos atrás. Para completar, o nórdico alcançou o feito correndo diante da torcida, em Oslo, capital da Noruega.

O último encontro dos dois ocorreu na última sexta-feira, na Etapa de Mônaco da Diamond League. Warholm levou o ouro com 47s07, fazendo o novo recorde do campeonato. Alison foi prata com 47s51.

A tarefa é difícil, mas não impossível. Sempre que entrou em provas importantes, Alison baixou suas marcas pessoais e medalhou. Quem sabe, pode proporcionar um momento épico na capital japonesa, desbancando o favorito norueguês.

As duplas Ágatha e Duda e Ana Patrícia e Rebecca (FIVB/Divulgação)
As duplas Ágatha e Duda e Ana Patrícia e Rebecca (FIVB/Divulgação)

Vôlei de Praia (feminino e masculino)

Desde que entrou no programa dos Jogos Olímpicos, em Atlanta-1996, o vôlei de praia sempre trouxe medalhas ao Brasil. Até hoje, foram 12, sendo três de ouro, seis de prata e quatro de bronze. Três dos quatro medalhistas no Rio de Janeiro em 2016 estarão de novo em Tóquio, só que jogando com parceiros diferentes.

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Campeões no masculino, Alison Cerutti e Bruno Schmidt se separaram e agora jogam com Álvaro Filho e Evandro Rodrigues, respectivamente. Vice-campeã olímpica, Ágatha Bednarczuk agora faz parceria com Duda Lisboa. Fechando os representantes brasileiros, estão Ana Patrícia Ramos e Rebecca Cavalcante.

Se fossemos analisar o gráfico dos quatro ativos ao longo do ciclo olímpico, veríamos um crescimento significativo das quatro duplas desde 2019. Após terem performances irregulares dois anos atrás, as quatro parcerias ganharam química e entrosamento, principalmente depois da pausa no esporte mundial gerada pela pandemia.

No Circuito Brasileiro, o domínio foi total. A dupla Ágatha e Duda se sagrou campeã nacional com uma etapa de antecedência após vencer seis das oito competições – sendo cinco de maneira consecutiva – e ficar com duas pratas. Elas só não subiram no pódio na última etapa, da qual não participaram.

No Circuito Mundial, o desempenho também foi excelente. Até abril, nas quatro etapas do campeonato, a dupla havia somado um ouro, uma prata e dois bronzes. De quebra, superaram 300 vitórias na parceria, sendo que Ágatha conquistou seu 100º pódio na carreira.

Após duas quedas nas quartas de final, o último teste antes de Tóquio ocorreu no último fim de semana, na etapa de Gstaad, na Suíça, juntamente com quase todas as duplas favoritas ao pódio no Japão. As duas levaram a medalha de ouro com direito a vitória diante das compatriotas que estarão na Olimpíada.

Ainda que a valorização tenha sido levemente menor do que a de Ágatha/Duda, Ana Patrícia Ramos e Rebecca Cavalcante também cresceram em 2021, principalmente nessa reta final, período mais importante.

No Circuito Brasileiro, a dupla ficou com o vice-campeonato, muito em função da campanha incrível de Ágatha e Duda. Em nove etapas disputadas, Ana Patrícia e Rebeca levaram dois títulos, ficaram duas vezes em segundo, conquistaram dois bronzes e ainda obtiveram um quarto lugar.

O desempenho no Circuito Mundial não foi tão bom quanto no nacional, mas com ressalvas. A dupla deixou de participar de algumas etapas devido a um leve entorse no tornozelo de Rebecca. Como dito, a dupla engrenou nesse último mês e foi recompensada com a medalha de prata no último domingo.

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A dupla Alison e Álvaro Filho na etapa de Sochi do Circuito Mundial de vôlei de praia (FIVB/Divulgação)
A dupla Alison e Álvaro Filho na etapa de Sochi do Circuito Mundial de vôlei de praia (FIVB/Divulgação)

Os homens não chegarão aos Jogos Olímpicos com os resultados recentes das mulheres, mas não podem ser descartados. Cada uma das duplas masculinas tem a presença de um atual campeão olímpico, o que é um diferencial.

Alison e Álvaro Filho ficaram em terceiro em uma das etapas do Circuito Mundial e fecharam o circuito nacional na terceira colocação. Pegaram uma chave mais complicada em Tóquio, mas com condições de avançar.

Já Evandro e Bruno viveram um drama e quase tiveram a parceria desfeita. O campeão olímpico foi internado com Covid-19 e não tinha a participação olímpica assegurada. Ventilou-se até a possibilidade de Evandro jogar com outro parceiro na Olimpíada devido ao estado de seu companheiro.

Felizmente Bruno se recuperou e a dupla obteve bom resultado na etapa de Gstaad. Caíram nas quartas de final diante de uma dupla do Catar que chegou no mínimo nas semifinais em quatro etapas do circuito mundial no ano.

Se fossem ações, ambas as duplas masculinas estariam com preço descontados no momento e seriam uma boa aposta para os investidores.

Bia Ferreira e a medalha de ouro no Mundial de Boxe (Instagram/Reprodução)
Bia Ferreira e a medalha de ouro no Mundial de Boxe (Instagram/Reprodução)

Bia Ferreira

O outro ativo olímpico a ser acrescentado na carteira do InfoMoney é Beatriz Ferreira, mais conhecida como Bia Ferreira, campeã mundial de boxe em 2019 na categoria leve (até 60kg).

Baiana arretada, nasceu em Salvador com o boxe em seu sangue. Seu pai, Raimundo Ferreira, foi tricampeão baiano e bicampeão brasileiro e fez com que a filha entrasse no esporte cedo. Com o pai de treinador, Bia Ferreira não demorou a vestir as luvas.

Seu pai tinha uma academia e aos quatro anos perguntou a filha se ela desejava aprender a lutar. Entusiasmada, a garota disse sim, aprendeu alguns golpes e nunca mais parou.

No começo de 2016, Bia foi surpreendida com uma boa notícia. A atleta foi convidada pela Confederação Brasileira de Boxe (CBBoxe) para ajudar a medalhista olímpica Adriana Araújo para os Jogos do Rio de Janeiro.

Após o período de treinamentos, a CBBoxe indicou a baiana como atleta revelação de alto rendimento da modalidade, enxergando potencial em Bia para conquistar uma medalha nas próximas Olimpíadas.

Com 23 anos à época, ela e outros 20 atletas puderam participar do projeto Vivência Olímpica, que dava a oportunidade de convívio com os atletas olímpicos brasileiros presentes nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro em 2016.

Os anos seguintes mostraram que a aposta da CBBoxe valeu a pena. Desde 2017, quando virou titular de sua categoria na seleção brasileira, Beatriz Ferreira não parou de brilhar: Bia participou de 30 competições e conquistou 29 medalhas.

A mais importante delas veio em 2019, em Ulan-Ude, na Rússia. No dia 13 de outubro, a boxeadora sagrou-se campeã mundial. O maior feito de sua carreira até aqui.

Em 2021, Bia segue se valorizando. Primeira colocada do ranking mundial na categoria leve, reafirmou em um torneio disputado em fevereiro na Bulgária no início desse ano que é a grande favorita à medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020. Bia Ferreira venceu todas as lutas que disputou e bateu na final Mira Potkonen, medalhista olímpica na Rio 2016 e segunda colocada no ranking mundial.

Um mês depois, na Cologne World Cup, disputada na Alemanha, Beatriz Ferreira voltou a levar a medalha de ouro. Na última semana, no Grand Prix de Boxe do Brasil, o último torneio antes do embarque para o Japão, a baiana encerrou a sua participação invicta na competição e ficou com o título.

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