Persistência premiada

Ágatha Bednarczuk, do vôlei de praia, busca em Tóquio o segundo pódio olímpico

Mesmo diante de desafios e dificuldades que apareceram na carreira, Ágatha soube aprender e se reinventar, e estourou no vôlei de praia apenas aos 30 anos

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Ágatha Bednarczuk, do vôlei de praia (Alaor Filho/COB e Saulo Cruz/ Exemplus/ COB)
Ágatha Bednarczuk, do vôlei de praia (Alaor Filho/COB e Saulo Cruz/ Exemplus/ COB)

O vôlei apareceu na vida de Ágatha Bednarczuk por influência do pai e de uma tia. Ainda menina, começou a jogar e se tornou fã da geração de Ana Moser, Fernanda Venturini, Virna e companhia. Mas a modalidade de quadra, que era com o que ela sonhava, não lhe rendeu a oportunidade esperada.

Foi no vôlei de praia que ela se encontrou, se tornou profissional e ganhou o mundo. O sucesso, no entanto, demorou. Só aos 30 anos, foi reconhecida como jogadora de ponta e, aos 33, foi recompensada com a medalha de prata conquistada ao lado de Bárbara Seixas na Rio-2016.

Agora, em Tóquio, aos 38 anos, ela chega como favorita a subir novamente no pódio. Desta vez ao lado da jovem e talentosa Duda Lisboa, de apenas 22 e já considerada uma das melhores do mundo.

A troca de parceira após o sucesso nos Jogos Olímpicos de 2016 veio por conta de um baque. A mudança não estava nos planos de Ágatha, que acabou abandonada por Bárbara Seixas, que escolheu jogar o ciclo para Tóquio com Fernanda Berti.

A paranaense de Paranaguá, no entanto, não se deixou ficar para trás e encontrou a parceria ideal com a qual pudesse brilhar. Junto com Duda, somou conquistas e pontos no ranking suficientes para que, em setembro de 2019, conquistasse a vaga olímpica para 2020, enquanto a antiga companheira ficou pelo caminho, já que Ana Patrícia e Rebecca formam o outro time que vai representar o Brasil no vôlei de praia nas areias japonesas.

“Os primeiros anos foram de bastante adaptação porque eu estava vindo de uma parceria onde a gente tinha quase a mesma idade e eu fechei uma parceria com a Duda com uma diferença muito grande. Eu só tinha visto ela jogando, mas nunca tinha sentado com ela para bater um papo”, conta.

“Então, eu fui conhecendo a Duda como ser humano e aí a gente foi se encontrando dentro de quadra, entendendo como a gente deveria jogar juntas. E o legal foi que nossa química foi muito, tanto que os nossos resultados também vieram muito rápido”, completa.

A junção de uma medalhista olímpica com uma garota três vezes campeã mundial nas categorias de base do vôlei de praia e medalha de ouro nos Jogos Olímpicos da Juventude em 2014 foi a melhor maneira que Ágatha encontrou para se recuperar do golpe sofrido pelo fim da dupla medalhista olímpica com Bárbara Seixas.

Ágatha Bednarczuk, do vôlei de praia (Alaor Filho/COB e Saulo Cruz/ Exemplus/ COB)
Ágatha Bednarczuk, do vôlei de praia (Alaor Filho/COB e Saulo Cruz/ Exemplus/ COB)

Não foi a primeira vez que Ágatha precisou se reinventar. Desde que colocou na cabeça o sonho de ser atleta profissional, a jogadora sempre encarou os problemas de peito aberto e com o sorriso no rosto que é sua marca registrada.

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Do vôlei de quadra, ela desistiu depois de se sentir injustiçada por decisões que não estavam sob seu controle, tomadas pelos técnicos dos times onde jogou. Na modalidade de praia, que experimentou após o convite da amiga Shirley, Ágatha se apaixonou pela liberdade de depender apenas do desempenho dela e de sua parceira dentro da quadra.

A carreira de Ágatha no vôlei de praia começou em 2001, teve uma experiência interessante em 2005 como parceira da campeã olímpica Sandra Pires, mas sucesso mesmo ela só começou a fazer em 2013. Ainda assim, teve que superar uma decepção.

Para o ciclo olímpico do Rio de Janeiro, a Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) decidiu montar a seleção brasileira da modalidade. Na primeira convocação, feita pelo técnico Marcos Miranda, ela ficou de fora. Sua parceira, que já era Bárbara Seixas, foi chamada, mas ela não.

Mais uma vez, Ágatha não desistiu. Ficar de fora da seleção brasileira significava não poder disputar torneios internacionais. Mas ela se dedicou e melhorou seu desempenho a ponto de ser incluída nos planos apenas quatro meses depois.

A partir daí construiu a história vencedora com Bárbara Seixas, que passou pelos título do circuito brasileiro nas temporadas 2012/2013 e 2013/2014, o Mundial de 2015 e culminou na medalha olímpica de prata em 2016.

“Tudo o que a gente viveu para conquistar a medalha foi muito incrível. Acho que a parceria com a Bárbara foi incrível. Por mais que ela tenha terminado logo depois da Olimpíada, acho que tudo o que a gente viveu até aquele momento foi uma parceria muito legal mesmo, muito sólida”, afirma a atleta.

No ciclo para Tóquio, ao lado de Duda, tudo aconteceu de forma mais natural. Juntas, elas foram campeãs gerais do Circuito Mundial em 2018 e ganharam o Finals do Tour em 2018 e 2019. As coisas iam bem quando veio a pandemia, e tudo parou.

Os Jogos Olímpicos, que seriam em 2020, foram adiados para 2021. Apesar do baque, Ágatha e sua parceira conseguiram minimizar os prejuízos e desde a volta dos campeonatos colecionam resultados que as colocam como a principal esperança de medalha do vôlei de praia brasileiro.

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“A gente sabia que os Jogos tinham sido adiados, mas não tínhamos certeza de que eles realmente iriam acontecer em 2021. Então, a gente resolveu viver o presente, um dia de cada vez. Olhando para trás até março de 2020, quando houve a paralisação mundial, eu acho que nosso time como um todo conseguiu lidar bem com a situação”, avalia.

“Houve momentos difíceis para cada um. O medo de ser contaminado faz parte do dia a dia e cada um lidou do seu jeitinho com isso. Acho que a gente conseguiu lidar bem com tudo isso para chegar neste momento e conseguir focar em Tóquio”, completa.

Os resultados falam por si só. Logo na primeira competição internacional, o King of Court, disputado em setembro de 2020, na Holanda, elas foram campeãs. “Foi muito legal porque a gente não tinha jogado nenhuma competição, enquanto as gringas já estavam jogando e chegamos já ganhando.”

Depois disso, com o Circuito Mundial ainda paralisado, o jeito foi focar nas competições nacionais. Ágatha e Duda ganharam seis das oito etapas que disputaram do circuito brasileiro, e foram campeãs.

Ágatha e Duda conquistaram o ouro na última etapa do circuito mundial de vôlei de praia feminino antes da Olimpíada de Tóquio, realizada em Gstaad, na Suíça (FIVB-Divulgação)
Ágatha e Duda conquistaram o ouro na última etapa do circuito mundial de vôlei de praia feminino antes da Olimpíada de Tóquio, realizada em Gstaad, na Suíça (FIVB-Divulgação)

Na volta do circuito mundial, foram sete torneios e cinco medalhas conquistadas, duas de ouro, uma de prata e duas de bronze. Nenhuma dupla do planeta subiu tanto no pódio depois do período de paralisação. Por conta disso, as apostas são altas de que elas podem repetir o feito nos Jogos Olímpicos de Tóquio.

“Expectativa é a melhor possível. A gente vem construindo nos últimos anos uma regularidade muito grande. A gente está sempre buscando e conseguindo ficar no pódio. Mas sou muito pé no chão. Tem times muito bons, pelo menos uns seis em condições de conquistar a medalha de ouro”, diz.

“Os Jogos Olímpicos são uma competição de pressão. Tem um glamour diferente. É a tua vida inteira buscando viver aquele momento como atleta. Vai ser a primeira vez da Duda e a minha segunda. Nossa equipe está muito feliz de viver isso todos juntos. Eu espero que a gente consiga colocar em prática tudo o que a gente vem colocando na nossa bagagem até esse momento para conseguir o melhor resultado possível”.

**Por Fernando Gavini e Giovana Pinheiro

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