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SÃO PAULO – O analista de sistemas Daniel Casado Campos paga tudo o que compra no cartão de crédito. O objetivo, segundo ele, é aproveitar os programas de pontos para viajar ou trocar por prêmios que o banco oferece. Assim como Daniel, muitas pessoas têm atitude semelhante quando o assunto é cartão, mas será que vale a pena?
De acordo com o professor de finanças da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo), Fábio Gallo, tudo depende da sua capacidade de controle orçamentário.
Em outras palavras, se você é uma pessoa com as finanças em ordem, que não compra compulsivamente, anota tudo o que gasta, paga a fatura completa do cartão pontualmente, pode valer a pena. Caso contrário, é melhor guardar o cartão de crédito na gaveta!
“Para valer a pena, a pessoa tem de utilizar o cartão como forma de consolidar todos os pagamentos em uma única data. Ou seja, ela tem de reservar a quantia que seria gasta naquele dia para pagar a fatura. Agora, se ela usa o cartão e o valor que ela teria gasto se tivesse pago no débito, por exemplo, ela gasta com outra coisa e começa a atrasar o pagamento da fatura, ou mesmo entrar no rotativo, é um grande problema. Aliás, se a operadora do cartão vive aumentando o limite daquela pessoa, este é um dos principais sinais de descontrole”, explica.
Reflita
Em agosto, o cartão de crédito liderou a lista dos tipos de dívidas dos brasileiros. De acordo com a Peic (Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor), da CNC (Confederação Nacional do Comércio), neste mês, 71,9% dos consumidores endividados têm dívidas com o dinheiro de plástico para arcar.
No que diz respeito aos juros, em julho, a taxa média mensal cobrada nas operações com cartões atingiu 10,69%, conforme dados da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade).
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Os números, explicam especialistas, mostram o quanto é necessário refletir antes de ter um cartão de crédito ou sair gastando para aproveitar o sistema de pontuação. Assim, aconselha Gallo, ao pensar em adquirir o plástico, reflita se realmente ele terá utilidade na sua vida.
Fidelização
O mesmo conselho serve para aqueles que pretendem aderir ao sistema de bonificação. Isso porque, explica o professor do IDE (Instituto de Desenvolvimento Educacional) da FGV (Fundação Getulio Vargas), Carlos Alberto Di Agustini, esses sistemas servem para fidelizar o cliente e, consequentemente, fazê-los gastar mais.
“É importante que o consumidor faça uma autoreflexão e se pergunte se realmente vai utilizar esses bônus. Se ele não tem o hábito de viajar, por exemplo, qual o motivo de participar de um programa de milhagens? Ele também deve ter consciência de que esses bônus, muitas vezes, são difíceis de resgatar”.
Além disso, ressalta o professor, o consumidor deve ter consciência e se perguntar se os prêmios compensam o valor gasto com anuidade e se vale a pena renunciar a eventuais descontos para outras formas de pagamento.
Como funcionam?
No geral, os sistemas de pontos beneficiam aqueles que mais fazem pagamentos no cartão de crédito, recompensando-os com pontos que podem ser trocados por diversos prêmios.
No Itaú, por exemplo, o programa de recompensas “Sempre Presente” é válido para clientes Itaucard Internacional, Gold e Platinum; e Itau Uniclass Internacional, Gold e Platinum. Neste programa, os clientes Itaucard pagam um acréscimo de R$ 30 anuais do cartão, enquanto que os Uniclass têm adesão automática. A cada US$ 1, ou o equivalente em reais, pago ou gasto, o cliente tem o montante convertido em pontos, conforme o tipo de cartão.
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No BB (Banco do Brasil), o sistema é parecido, sendo que o programa “Ponto pra Você” ainda oferece cupons para participação em sorteios e descontos na anuidade dos participantes. Além disso, o banco pontua o cliente conforme o relacionamento dele com o banco.