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SÃO PAULO – Quando você já não sabia mais o que fazer, diante do saldo devedor crescente do seu cartão de crédito, foi contatado por uma outra instituição financeira, que lhe ofereceu a possibilidade de transferir esta dívida para um novo cartão, a uma taxa de juros mais atrativa?
Aparentemente, a oferta parece irrecusável. Porém, por mais que você esteja ansioso por resolver o problema, não deve aceitá-la, sem antes analisar com cuidado as regras e condições de uso do novo cartão. Caso contrário você corre o risco de acabar piorando ainda mais a sua situação financeira!
Informe-se sobre as novas regras
Como acontece em quase todas as situações de venda, o vendedor, no caso a instituição que está lhe oferecendo a transferência, tende a atrair a atenção do cliente, enfatizando os pontos que mais interessam do produto. E, no caso do cartão de crédito, isso não poderia ser diferente! Assim, é comum que enfatizem apenas o fato da nova taxa ser bem menor do que aquela que você está atualmente pagando.
Não se pode dizer que se trata de venda enganosa, pois os termos e as regras certamente estão incluídos no contrato de adesão. Assim sendo, cabe a você ler com cuidado nas entrelinhas, para evitar surpresas desagradáveis depois. Abaixo, listamos os pontos que você deve verificar, antes de aceitar a transferência de saldo:
- Qual será a taxa no seu caso?
Em geral, as instituições anunciam as menores taxas praticadas. Porém, nem sempre esta será a taxa que será cobrada de você. Afinal, elas variam de acordo com o histórico de crédito de cada um de nós. Portanto, é importante que tenha em mente exatamente qual será a taxa aplicada no seu caso específico, antes de optar pela transferência. Mais ainda, não deixe de se informar em que tipo de situação a instituição revê as taxas oferecidas, e neste caso, como se dão as revisões.
- Por quanto tempo?
Não se iluda! A taxa oferecida não será mantida para sempre. Ela é apenas um atrativo para captar um novo cliente, no caso, você. Até aí nada demais. Afinal, a oferta de descontos e promoções faz parte da realidade de quase todos os produtos. Cabe a você entender se a oferta efetivamente vale a pena no seu caso.
Em geral, as instituições financeiras oferecem um prazo de carência, que varia entre 6 e 12 meses, durante o qual a taxa cobrada no novo cartão é bem menor do que a praticada no mercado. Cabe a você, portanto, informar-se sobre o período em que a taxa reduzida será aplicada. Esta é uma informação importante para a sua tomada de decisão.
- E depois, qual será a taxa?
Mesmo que a taxa de juro oferecida seja menor, dependendo da duração em que será aplicada, e do novo patamar de juros após o período de carência, pode não valer a pena migrar. Isso é particularmente verdade, nos casos em que a carência é muito curta, abaixo de seis meses, e quando a taxa após a carência é maior do que aquela que você atualmente paga no seu cartão. Assim sendo, nova pergunte qual será a taxa cobrada após o período de carência e faça as contas com cuidado.
- Sobre que valor incidirá a taxa?
Algumas administradoras oferecem taxas mais baixas na transferência de apenas parte do saldo devedor, aplicando taxas mais altas para o saldo restante. Informe-se se a taxa reduzida será aplicada sobre a totalidade do seu saldo transferido, ou somente parte e, neste caso, qual será a taxa aplicada no saldo restante. É importante verificar também se a taxa reduzida se aplica apenas ao saldo, parcial ou total, transferido, ou se também será aplicada para as novas compras efetuadas no cartão. Muitos consumidores se animam com a nova taxa e acabam gastando mais do que precisam no cartão, para então saberem que nas novas compras as taxas não são as mesmas.
- Quais os outros encargos?
Os juros rotativos não são os únicos encargos dos cartões de crédito. Você também precisa arcar com a taxa de anuidade, multa e juros por atraso, caso não efetue nem mesmo o pagamento mínimo, etc. Ainda que, como devedor, sua maior preocupação se refira aos juros rotativos, não se deve deixar de lado os demais encargos, que podem acabar fazendo sua dívida crescer ainda mais rápido.
Uma vez esclarecidos os pontos acima, você deve refletir sobre o porquê da sua decisão. Muitas pessoas optam pela transferência, porque acreditam que é sempre mais fácil começar de novo. Porém, sem planejamento, o máximo que você irá conseguir é adiar, por alguns meses, o seu problema.