Cartão combustível devolve até 3% do total gasto; vale a pena ter um?

Segundo consultor financeiro, eles compensam quando a devolução é superior ao que o consumidor paga de anuidade

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SÃO PAULO – O cartão de crédito age como um “anestésico” no momento da compra. Isso porque, quando o pagamento é feito em dinheiro, sentimos a redução da disponibilidade na hora. Mas com o plástico, há a ilusão de que não se gastou e, quando a fatura chega, é que toma-se um susto. Por isso, é preciso tomar cuidado antes de aderir ao cartão, inclusive aos segmentados, como o combustível.

Por enquanto, o único banco que oferece a modalidade no Brasil é o HSBC. Com ele, é possível abastecer e ter 3% de desconto no valor da fatura, prazo de pagamento de 40 dias sem custos extras, seguro a R$ 3,30 por mês e ainda é permitido fazer saques em caixas eletrônicos da rede Banco24horas ou Rede Interligada. O cartão ainda é isento de anuidade, mas será cobrada taxa de R$ 3,45 nos meses em que houver transação.

Além disso, as próprias redes de postos lançaram os cartões de crédito, como a Ipiranga e Texaco, com vantagens que vão desde a possibilidade de pagamento de contas de consumo com os cartões até desconto no valor abastecido e socorro mecânico. Diante de tantos pontos positivos, esses cartões se tornam tentadores. O consumidor que não tem controle financeiro, porém, deve tomar muito cuidado, ou então estará adquirindo um vilão para o próprio orçamento.

Vale a pena ter um?

Estes cartões se tornam interessantes porque devolvem uma certa quantia do dinheiro gasto em combustível. De acordo com o consultor financeiro e professor da FGV (Fundação Getúlio Vargas), José Eroni Fernandes, somente quando essa quantia for superior à anuidade ou tarifa de emissão de boleto é que vale a pena ter um cartão combustível. Ou então, você estará gastando mais do que ganhando para mantê-lo.

No caso do HSBC, por exemplo, ele explicou que só compensa manter o cartão se o gasto mensal for superior a R$ 115, por causa do custo de processamento de R$ 3,45. Abaixo disso, o custo de ter o cartão é maior do que o benefício dos 3% devolvidos em gasto com combustível. O cartão Texaco também devolve 3% e o Ipiranga, quantia entre R$ 0,04/litro e R$ 0,10/litro, dependendo do cartão escolhido.

Se, ao fazer essa análise, você chegou à conclusão de que vale a pena ter um cartão combustível, aproveite as vantagens oferecidas por eles, como descontos em redes de parceiros e a possibilidade de pagamento de curso de inglês, mensalidades escolares e outras contas com o mesmo plástico.

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Atente também ao juro

De acordo com Fernandes, ainda é preciso considerar um fator importantíssimo ao aderir ao cartão combustível: qual a taxa de juro cobrada em caso de atraso do pagamento da fatura? Para se ter uma idéia, a taxa do HSBC é de 12,99% ao mês. Em um ano, tendo um gasto de R$ 100, o consumidor acumularia uma dívida de R$ 432,99, sem considerar o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras). Se o gasto subisse para R$ 300, em 12 meses o cliente já teria uma dívida de R$ 1.298,98.

“O cartão é válido somente para quem tem certeza que pagará as faturas rigorosamente em dia, porque correr o risco de pagar juros de 12,99% ao mês pode anular qualquer benefício que o cartão possa trazer”, afirmou. Para comparação, o consultor fez uma tabela com essa taxa e outra, de 5% ao mês, para quem atrasou R$ 100 e R$ 300 no cartão, no período de seis, 12 e 24 meses. O cálculo não leva em consideração a nova legislação, que adiciona 0,38% de IOF sobre o valor financiado mais 0,0082% ao dia sobre o saldo devedor.

Valor Juros ao mês Total em 6 meses Total em 12 meses Total em 24 meses
R$ 100 12,99% R$ 208,00 R$ 432,99 R$ 1.874,82
R$ 100 5% R$ 134,00 R$ 179,59 R$ 322,51
R$ 300 12,99% R$ 624,25 R$ 1.298,98 R$ 5.624,47
R$ 300 5% R$ 402,03 R$ 538,76 R$ 967,53

Simulação: José Eroni Fernandes

Dicas

Ainda de acordo com Fernandes, as dicas para uso do cartão combustível são as mesmas daquelas dadas ao consumidor que tem um cartão de crédito comum. Veja-as abaixo: