Brasileiro prefere pagar compras à vista

Estudo da Fecomércio estima que 42,3% das vendas no varejo sejam pagas à vista, percentual é maior em alguns setores como material de construção

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SÃO PAULO – Diante dos dados alarmantes sobre o alto índice de inadimplência entre os consumidores brasileiros, os comerciantes têm pelo menos um motivo para a comemorar: a maioria dos brasileiros ainda prefere o pagamento à vista das suas compras. A constatação é de um estudo elaborado pela Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomércio).

Cerca de 42% das compras são à vista

De acordo com o estudo da Fecomércio, cerca de 42,3% das vendas ao varejo são pagas à vista, sendo que em alguns segmentos específicos como o de bens não duráveis (56,4%) e material de construção (51,3%) este percentual seja ainda maior. Contudo, em outros setor como o de automóveis a maior parte das compras ainda é feita através de financiamentos. Esta constatação sugere que, quando pode, o brasileiro prefere evitar as compras à prazo, para não correr riscos com a instabilidade da economia.

Para a Fecomércio a instabilidade no cenário econômico é o principal fator pelo alto percentual de compras à vista. A combinação de instabilidade no mercado de trabalho, que pode levar o consumidor a perder seu emprego e ter dificuldades para pagar as prestações, juntamente com o forte aumento dos juros que aconteceu no ano passado, tornam as compras a prazo extremamente arriscadas não só para o comerciante, como também para o consumidor.

Custo de financiamento não reflete perfil

Um dos grandes problemas no mercado brasileiro reside no fato de que os bancos e financeiras ainda não adotam juros diferenciados de acordo com o perfil do consumidor. Esta situação prejudica sobremaneira os bons pagadores, que são obrigados a pagar juros mais altos para compensar as perdas que os comerciantes têm com os maus pagadores.

Em alguns casos o comerciante também é prejudicado, como por exemplo, nas operações com cartão de crédito em que as operadoras cobram juros abusivos dos consumidores que atrasam, mas também cobram taxas excessivas do comerciante.

O crescimento das vendas através de financiamento só é recomendável se não for acompanhado de um aumento da inadimplência, pois caso contrário o comerciante acaba não concretizando as vendas e os bons pagadores continuam sendo penalizados. Somente a introdução de mecanismo de análise de crédito mais detalhado pode contribuir para uma melhora desta situação, o que ainda está um pouco longe de acontecer no Brasil, apesar de iniciativas neste sentido.

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Uma delas é a Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimentos (Acrefi), que em parceria com a Serasa pretende criar o Acrefi Positivo. O principal objetivo do cadastramento era melhorar o sistema de concessão de crédito, através da análise da pontualidade nos pagamentos e o histórico de endividamento do cliente. Desse modo, aqueles consumidores que pagam as suas contas em dia acabariam sendo beneficiados pelo cadastramento.

Contudo, a iniciativa foi duramente criticada pelos órgãos de defesa do consumidor, que acreditam que a criação de um cadastro de inadimplência dos clientes não deve necessariamente auxiliar na avaliação de crédito, podendo, por outro lado, gerar uma certa discriminação dos clientes que forem buscar financiamento.

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