Brasileiro é conservador na hora de parcelar intercâmbio

Empresas oferecem opção de parcelar em até 24 vezes, mas intercambistas optam pelo pagamento em até cinco ou nove vezes, para fugir dos juros

SÃO PAULO – Escolas de intercâmbio já oferecem parcelamentos em até dois anos para quem tem interesse em viajar, conhecer outra cultura, aprimorar o idioma ou então fazer um curso ligado à profissão. Porém, os brasileiros têm sido mais conservadores em relação às compras a prazo.

A CI, por exemplo, oferece o parcelamento em 24 vezes iguais com juros. “A ideia surgiu quando percebemos que muitas pessoas têm vontade de viajar, mas não conseguem encaixar os valores no orçamento”, afirmou o sócio-diretor, Celso Garcia.

De acordo com a diretora educacional da CI, Tereza Fulfaro, apesar de a empresa de intercâmbio oferecer parcelamento em até 24 meses, na prática, as pessoas costumam pagar a viagem em até nove parcelas. “Elas escolhem tempos menores, porque são pessoas que não querem ficar com dívidas muito longas”, afirmou.

O prazo médio dos financiamentos no Brasil é de 16 meses, de acordo com a Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade), mas pode chegar ao máximo de 36 meses. Porém, quando analisada a aquisição de veículos, o tempo médio do financiamento é de 44 meses e o máximo, de 80 meses.

Fugindo dos juros
Na verdade, a opção por parcelar em poucas vezes também é uma estratégia para fugir do pagamento de juros. Na empresa de intercâmbio Experimento, é oferecida a possibilidade de parcelar em até 24 meses, mas os clientes costumam escolher até cinco vezes.

“O brasileiro não se planeja muito, então não dá para pagar tudo de uma vez. O que falta, eles parcelam em até cinco vezes, porque tem um programa sem juros, se parcelar no cartão em até esse período”, afirmou a gerente comercial da Experimento, Emilia Miguel.

Além disso, outro fator que dita a forma de pagamento é o câmbio. De acordo com Emilia, existe a possibilidade de o aluno dar uma entrada e pagar o restante do curso aos poucos, em até 30 ou 40 dias antes do início. Então, ele vai pagando conforme a cotação está menor, o que favorece o bolso.

Intercâmbio
Na hora de fazer um intercâmbio, os brasileiros ainda optam pelos países de língua inglesa, sendo os preferidos o Canadá, os Estados Unidos e o Reino Unido, além daqueles localizados na Oceania e da África do Sul, que teve apelo neste ano por conta da Copa do Mundo.

A queda do euro, apesar de não ter mudado este cenário, faz com que o intercambista que está na Europa fique mais suscetível a viagens pelo continente. A mudança cambial, de acordo com a diretora educacional na CI, ainda pode fazer com que as escolas pratiquem reajustes dos preços dos cursos acima do esperado.

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“A tabela de preços das escolas é divulgada em outubro do ano anterior. Pode ser que agora altere. Tenho receio de que as escolas que estão com euro promovam aumentos”, afirmou Tereza.

Para o segundo semestre, o mercado prevê um cenário positivo, sem sinal de queda da demanda, que é incentivada por jovens e por profissionais em início de carreira, que querem viajar e ainda aproveitar para estudar um outro idioma.