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SÃO PAULO – Pela primeira vez, o Brasil faz parte do grupo de países com Alto Desenvolvimento Humano. A conclusão é do Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), que anualmente calcula o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), e integra o Relatório de Desenvolvimento Humano 2007/2008 – Combater as Mudanças do Clima: Solidariedade Humana em um mundo dividido.
De acordo com o relatório, em termos absolutos, o Brasil ultrapassou a barreira de 0,800 no IDH (cuja variação é de 0 a 1), considerada o marco de alto desenvolvimento humano. Em termos relativos, entretanto, o País caiu uma posição no ranking de 177 nações e territórios: da 69ª, no ano passado, para a 70ª em 2007.
Ainda de acordo com a pesquisa, a situação brasileira melhorou com o impulso do Programa Bolsa Família, que abrange cerca de 46 milhões de pessoas, ou um quarto da população, e reduziu a vulnerabilidade das famílias mais pobres e apoiou avanços no desenvolvimento humano, permitindo aos pais gerir o orçamento doméstico sem tirar os filhos da escola.
Ranking
Em primeiro lugar, ficou a Islândia, com IDH de 0,968. Depois, aparecem Noruega (também 0,968), Austrália (0,962), Canadá (0,961), Irlanda (0,959), Suécia (0,956), Suíça (0,955), Japão (0,953), Holanda (0,953) e França (0,952).
O Brasil ficou à frente de outros emergentes como Índia (128º lugar e IDH de 0,619) e China (81º lugar e IDH de 0,777). A Rússia conquistou a 67ª posição, com IDH de 0,802. O pior colocado na lista é Serra Leoa (177º lugar e 0,336).
Revisão dos cálculos
Este ano, a Albânia e a Arábia Saudita ultrapassaram o Brasil, subindo, respectivamente, cinco e 15 posições. Por outro lado, a ilha caribenha de Dominica, que estava acima do Brasil em 2006, ocupando o 68º lugar, caiu duas posições. Tanto a Arábia Saudita quanto o Brasil e a Albânia foram beneficiados pela mudança na maneira de calcular taxas de matrículas e a expectativa de vida (com a revisão do impacto da incidência, transmissão e sobrevida dos infectados da HIV/Aids).
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Graças às alterações, a expectativa de vida brasileira aumentou de 70,8 anos para 71,7 anos, enquanto na Albânia esse aumento foi de 73,9 anos para 76,2 anos, em média. Já a taxa de matrícula no Brasil ficou em 87,5% em 2004, sendo que no ano anterior esse número era de 85,7%.
Também com o propósito de melhor refletir os preços correntes de 2005, o PIB per capita foi ajustado para 159 países, favorecendo o Brasil, mais uma vez, que teve esse número calculado em US$ 8.402. Isso tudo significa que não é aconselhável realizar comparações do IDH divulgado este ano com os publicados em anos anteriores.
Sem levar em consideração as revisões de dados, que ocorreram para todas as dimensões do IDH, é possível afirmar que o IDH brasileiro cresceu de 0,792 para 0,800, sendo que essa alta não se concentrou em apenas um item analisado, mas foi consistente em todas as dimensões. Apenas a taxa de alfabetização não mudou de 2004 para 2005, permanecendo em 88,6%, entre a população com mais de 15 anos. A taxa de matrícula, entretanto, situa-se entre as 36 mais altas do mundo.
Desafio
O desafio do País, agora, é voltar-se para o desempenho do conjunto de países latino-americanos que têm um desenvolvimento superior ao brasileiro, como Argentina, Chile, Uruguai, Costa Rica, Cuba e México. Na comparação com essas nações vizinhas, o Brasil possui indicadores de desenvolvimento humano inferiores em praticamente todas as dimensões.