Big Brother Brasil 24 entra na reta final: só fica milionário quem ganha o programa?

A depender da trajetória, participante pode sair do reality com milhares de seguidores, contratos e agenciamento da própria Globo

Anna França

Na edição de 2023, BBB acumulou mais 30 patrocinadores. Foto: Reprodução/TV Globo
Na edição de 2023, BBB acumulou mais 30 patrocinadores. Foto: Reprodução/TV Globo

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O Big Brother Brasil (BBB24) entrou em sua reta final. Nas próximas duas semanas, muitos participantes deixarão o maior reality da televisão brasileira perdendo a chance de abocanhar o prêmio avaliado em R$ 3 milhões.

Engana-se quem pensa que o elenco que chegou tão longe vai simplesmente “morrer na praia” e ficar de bolso vazio. Exemplos não faltam de participantes que surfaram na própria imagem criada dentro da casa mais vigiada do Brasil e conseguiram amealhar bem mais do que a premiação oficial.

Mesmo antes de ser eliminada na atual edição, a modelo Yasmin Brunet, 35, faturou em apenas 10 dias cerca de R$ 5 milhões com seus produtos de beleza da linha Yasmim Beauty, de acordo com informações de seu sócio Eduardo Vanzak para a revista Vogue.

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Outra que aproveitou para vender milhões em produtos foi Bianca Andrade, que com sua marca “Boca Rosa” registrou um faturamento de até R$ 400 milhões após sua participação na 20ª edição do reality.  A youtuber Viih Tube também garantiu que, mesmo tendo saído “cancelada” do programa, embolsou o triplo do valor do prêmio da 21ª edição, de R$ 1,5 milhão.

Gil do Vigor, um dos mais famosos participantes, saiu da casa em quarto lugar e já tinha um contrato milionário com uma indústria de laticínios o esperando do lado de fora. Três meses depois da final do reality, ele já tinha faturado mais de R$ 15 milhões. Hoje, o pernambucano apresenta um quadro sobre Finanças Pessoais no programa de Ana Maria Braga e diz ser milionário.

Força do BBB

Nos últimos anos, o programa não só se firmou como o maior e mais longevo reality da televisão brasileira, mas também uma das maiores ferramentas de crossmedia do país, na opinião de Maurício Felício, professor de comunicação e publicidade da ESPM e head de mídia da Energy BBDO. “Mesmo com o avanço da internet, a televisão ainda é o grande canal de massa, e o BBB comprovou isso”, afirma.

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Ao mesclar concorrentes comuns, os chamados “pipocas”, com celebridades, mais conhecidos como “camarotes”, o BBB vem turbinando muitas carreiras. O caso de Viih Tube, que veio da Internet e se fortaleceu no Big Brother, é um clássico case de uma boa oportunidade de visibilidade, assim como ocorreu com seu marido, Eliezer, outro ex-integrante do programa.  

“A TV mostra que ainda tem uma relevância fenomenal para dizer o que é importante na sociedade e ainda será por décadas. O cruzamento das mídias só consolida essa força”, explica. Não à toa, todos os participantes que saem ficam ansiosos para saber com quantos seguidores estão nas redes sociais, onde a massificação fica mais visível na volta ao mundo virtual.

Aposta da Globo

De olho nesse potencial, a própria Globo já aposta no formato multiplataforma, aproveitando para conseguir engajamento com o conteúdo que produz e ampliar a visibilidade aos anunciantes. Segundo Manzar Feres, diretora de Negócios Integrados em Publicidade da Globo, a cada nova edição do BBB, a emissora aumenta suas possibilidades comerciais, criando espaços e oportunidades para que os anunciantes estejam integrados às dinâmicas do jogo.

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Esse ambiente híbrido é considerado a grande fortaleza da Globo atualmente, o que fomenta todo um ecossistema que nenhum outro player consegue oferecer no Brasil, segundo Manzar.

O resultado do Globoplay é um exemplo disso. De 9 a 24 de janeiro, a plataforma cresceu 45% na sua participação do mercado brasileiro de streaming. “Queremos que as marcas estejam presentes em todos os pontos de contato com o público, de forma estratégica, inteligente e contextualizada. Por isso, de 2020 para cá, mais que dobramos o número de marcas patrocinadoras, chegando a 15”, disse. 

No geral, a estimativa é de que o faturamento do programa tenha girado em torno de R$ 1 bilhão, batendo um recorde histórico de patrocínio. Muitas marcas patrocinadoras, além do espaço na TV, têm a possiblidade de fazer não só a publicidade em seus perfis nas redes sociais, como nos da Globo e até dos integrantes do grupo “pipoca”.

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Através da ViU, área que cria estratégias e executa projetos comerciais nas plataformas de mídias sociais, a empresa também agencia participantes do grupo “pipoca”. Dessa forma, além da receita publicitária e aumento das assinaturas do Globoplay, outros negócios da Globo também são impulsionados com o BBB. Ao aproveitar o carisma de participantes como Gil do Vigor e Juliette, a emissora evita erros do passado, como o de perder talentos como o de Sabrina Sato, por exemplo, que conseguiu visibilidade em outra emissora e só voltou ao grupo anos depois.

“Essa é uma das características do BBB e sua grande potência. A cada edição, o público abraça e se identifica com os participantes. Temos muitos exemplos de talentos que surgiram no programa e que construíram uma carreira vencedora e, desde a edição de 2023, temos a preferência para agenciar com exclusividade o grupo dos Pipoca do BBB, apoiando nesse início de jornada”, afirma a diretora.

Esse negócio é bem conhecido pela Mynd8. Pioneira no mercado de marketing de influência, a agência percebeu há muito tempo a força dos realities e hoje tem um leque amplo de profissionais em seu grupo, com nomes como os atores Babu Santana e Douglas Silva, os professores Jessi Alves e João Pedrosa, além da grande estrela, Gil do Vigor.

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“Antigamente, quem saía do reality tinha uns três meses de vida indo a eventos. Hoje eles saem com milhares de seguidores e já contam com uma estratégia definida e um modelo real de monetização”, explica o diretor artístico da Mynd8, Julio Beltrão.

A agência criada pela cantora Preta Gil em sociedade com Fátima Pissarra, Carlos Scappini e Marcus Buaiz já conta com 450 agenciados, 400 funcionários, mais de 20 mil campanhas e ações publicitárias, e 200 mil posts realizados para marcas.

Para o professor de geografia João Pedrosa, que tinha forte identificação com o universo pop, seu perfil foi transformado para atender esse mercado. Com projetos segmentados, ele se tornou uma personalidade da área de entretenimento. Já Jessi Alves, que era professora de biologia, também se tornou uma milionária com seu canal “Jessiologia”, onde aborda temas ligados à sua formação, como os motivos que levam uma pessoa a ter ressaca. A apresentação do assunto sempre é contextualizada por uma marca patrocinadora.  

“Damos aos profissionais todo suporte, desde psicólogos a até uma assessoria de imprensa. Todos passam por treinamentos para saber como se portar para ter uma vida longeva fora do reality”, explica Beltrão.

Da edição 2024, a empresa já está de olho em destaques como Davi e Bia, bem como Isabelle e Pitel, que estampam em suas trajetórias muitas questões de regionalidade. Mas a empresa terá pela frente a concorrência da própria Globo que, além de construir uma nova celebridade, agora quer aumentar sua fatia no grande bolo publicitário.

Anna França

Jornalista especializada em economia e finanças. Foi editora de Negócios e Legislação no DCI, subeditora de indústria na Gazeta Mercantil e repórter de finanças e agronegócios na revista Dinheiro