BC: inadimplência aumenta, mas não compromete estabilidade financeira

Relatório de Inflação do BC destaca o crescimento "comportado" do grau de endividamento das famílias

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SÃO PAULO – O relatório trimestral de inflação do BC (Banco Central), divulgado nesta segunda-feira (29), traz a constatação de que houve crescimento do endividamento das famílias brasileiras, devido, principalmente, à expansão do crédito a partir de uma base restrita. Entretanto, o relatório destaca que o comprometimento da renda ainda se mostra equilibrado e sustentável.

De acordo com a publicação do BC, a inadimplência desde o primeiro trimestre de 2003 vem se mostrando “bem comportada”. O comprometimento da renda no período considerado variou de 22,9% para 31,3%.

Comportamento adimplente

Tanto o comportamento da inadimplência quanto o do comprometimento da renda são classificados pelo BC como “contidos”. O motivo, de acordo com a entidade, pode ser justificado por dois fatores.

Em primeiro lugar, o crescimento das operações destinadas a pessoas físicas esteve concentrado nos empréstimos pessoais com consignação em folha de pagamento e nos financiamentos para aquisição de bens duráveis, como veículos.

Dentre estas modalidades, estão incluídas as operações de arrendamento mercantil, para as quais a qualidade da garantia prestada contribui para o comportamento adimplente dos agentes.

O segundo fator diz respeito aos efeitos combinados do declínio das taxas de juros, observados, especialmente, a partir do segundo trimestre de 2003 e do alongamento dos prazos médios das operações de financiamentos.

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Esses efeitos são traduzidos em uma redução gradativa do valor das prestações. O primeiro, diretamente por causa do custo das operações (o crédito consignado é mais barato) e o segundo, por estender o período de pagamento, diluindo o valor das parcelas.

Crédito

As operações de crédito do sistema financeiro cresceram de forma expressiva ao longo dos últimos quatro anos, conforme avalia o Relatório de Inflação. Para o BC, esse ciclo de desenvolvimento esteve vinculado a uma política monetária mais flexível. A estabilidade econômica do País estimulou a oferta dos produtos, e o consumo das famílias foi ampliado.

O relatório aponta que a evolução na oferta de crédito à pessoa física têm sido fundamental para sustentar o nível de atividade econômica no País e, conseqüentemente, o consumo. O aumento da renda das famílias também exerceu influência sobre a manutenção do consumo, porém, em menor proporção se comparado à expansão do crédito.