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SÃO PAULO – Na semana passada, o COPOM (Comitê de Política Monetária), órgão do Banco Central responsável pela política monetária brasileira, reduziu a taxa de juros básica, a Selic, em 0,25 ponto percentual. Este é o segundo corte consecutivo em 2002 da taxa básica de juros, que agora se encontra em 18,50% ao ano. A expectativa agora fica por conta de uma redução das taxas de juros cobradas ao consumidor.
Juros mais baixos para o consumidor
De acordo com estimativas da Anefac, Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade, o consumidor deve pagar menos em juros a partir de abril. A Associação aposta em uma redução dos juros em todas as principais modalidades de financiamento, mas a maior queda deve ficar com os CDCs de bancos, cujos juros estão em 3,83% ao mês e podem chegar a 3,81% ao mês. Esta é a modalidade mais barata de financiamento, pois os bancos usam o bem como garantia do financiamento, reduzindo assim o risco de inadimplência.
Também devem cair as taxas cobradas no cheque especial, que deve ficar em 9,85% ao mês, do cartão de crédito que deve passar para 10,45% ao mês e finalmente dos crediários no comércio varejista que pode baixar para 6,64% ao mês. NO caso dos juros de crediário esta seria a nona redução consecutiva, desde que as taxas médias alcançaram 6,88% ao mês em julho de 2001.
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Prazos mais longos
O presidente da Associação Comercial de São Paulo, Alencar Burti, acredita que outra conseqüência da redução da taxa básica da economia seja a ampliação dos prazos de financiamento. Atualmente os prazos de financiamento variam de acordo com a modalidade, entre 12 e 24 meses. O aumento dos prazos permitiria uma redução das prestações a serem pagas pelo consumidor.
No entanto o consumidor não deve se deixar empolgar pela combinação de juros mais baixos e prazos mais longos. Isto porque mesmo que sejam cortados os juros e ampliados os prazos, o fato é que os custos dos financiamentos ainda são muito altos, colocando em risco o equilíbrio do seu orçamento. Além disso, em alguns casos o orçamento doméstico já está comprometido com dívidas antigas e não quitadas, portanto contrair novas dívidas não é uma boa alternativa, mesmo que as condições sejam mais favoráveis.
Para ilustrar melhor o impacto no valor de uma prestação da combinação de queda nos juros e aumento dos prazos de financiamento, vamos assumir que você atualmente queira comprar uma TV que custa R$ 700 por um prazo de 24 meses com juros de 3,83% ao mês. Neste caso suas prestações seriam de cerca R$ 45. Se os juros baixassem para 3,81% e o prazo aumentasse para 26 meses sua prestação cairia para R$ 42,80, cerca de 5% mais barata do que a prestação anterior.
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Repasse não tem sido integral
As reduções da taxa Selic não têm sido repassadas integralmente para os consumidores. Desde março de 1999, quando a taxa de juros básica da economia brasileira era de 45% ao ano, até o início do mês de março de 2002, quando registrava 18,75% ao ano, o repasse ao consumidor foi de apenas 39%, contra uma redução no mesmo período de 58,33% da Selic.
Isto significa que os bancos e financeiras demoram mais para repassar os cortes nos juros aos consumidores, em grande parte esta demora deve-se ao fato que o índice de inadimplência da economia ainda é alto. Desta forma, antes de voltar a comprar financiado o melhor é esperar para que novos cortes na taxa básica levem a uma redução mais significativa nos juros cobrados ao consumidor.