Avanço do crédito não é suficiente para levar consumidor à inadimplência

Em evento sobre mercado de cartões, presidentes da Serasa e da Acrefi disseram que Brasil está longe de uma crise do crédito

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SÃO PAULO – O mercado de crédito no Brasil cresce sem parar há cinco anos, a uma média de 25% ao ano. Em 2008, porém, o avanço deve chegar a 30%, taxa que não é suficiente para fazer com que o País passe por uma crise neste mercado, com um alto grau de endividamento da população.

“Se tivesse algo para acontecer, já teria acontecido”, afirmou o presidente da Acrefi (Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento), Adalberto Savioli, que explicou que o grande fator que pode acarretar em uma crise não é o crescimento, mas a falta de informação positiva – que mostre o comportamento do consumidor diante do crédito.

Segundo explicou Savioli, 75% das operações de crédito no Brasil têm garantia, o que dá segurança para o mercado. A questão é por que, mesmo com essa taxa alta, a inadimplência chega a 7%, no caso dos atrasos acima de 90 dias? A resposta seria, novamente, a falta de um cadastro positivo. “Hoje, estamos chegando num nível em que não adianta a gente investir muito numa classificação do indivíduo (endividado ou não), se não temos o comportamento dele”.

O presidente da Acrefi falou durante o C4 (Congresso de Cartões de Crédito ao Consumidor), realizado nesta quinta-feira (28) em São Paulo.

Risco pequeno

Conforme explicou o presidente da Serasa, Francisco Valim, quando subtraímos da renda dos brasileiros o pagamento de juros e do crédito, a conta está positiva, o que tranqüiliza o mercado. “Não temos problema nenhum de crédito na economia brasileira”, afirmou.

Por isso, ele disse que restringir a concessão não é o caminho certo, mas sim evitar o superendividamento. Como não temos um cenário de crise, o presidente da Serasa disse que este é o melhor momento para implantar um cadastro positivo. Para que não tenhamos, de nenhuma maneira, uma bolha de crédito, ele aponta as seguintes questões:

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Ele afirmou que o cadastro positivo seria importante porque, hoje, a reputação dos bons pagadores não é disseminada no mercado. “É um segredo”, disse ele, completando que a falta dele impede a redução das taxas de juros.

Cadastro não é a salvação

Conforme afirmou o principal advisor para a América Latina e Caribe da IFC (Internacional Finance Corporation), Pedro Meloni, o crédito é fundamental, principalmente o direcionado à pessoa física, porque ele promove a inclusão social. No entanto, o endividamento não é um sonho e as pessoas devem encontrar um equilíbrio entre o desejo e a capacidade de pagá-lo.

Ele explicou que o Brasil é um dos únicos países da América Latina que não têm cadastro positivo, mas que espera que não tenhamos que passar por um momento de crise para implementá-lo. “Espero que não tenhamos que correr o caminho de alguns países que tiveram que implantar o cadastro positivo quando alguns bancos quebraram. Espero que a gente possa criar um cadastro positivo sem passar por uma crise, que não tenhamos que aprender com a crise dos outros”.

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Meloni afirmou que o cadastro positivo não é o remédio para todos os males. Um exemplo é os Estados Unidos, que mesmo com o cadastro, passaram por uma crise recentemente. “O bureau não vai evitar uma bolha, mas vai ajudar a beneficiar o bom pagador, porque ele paga mais pelo crédito do que deveria, já que subsidia o crédito ruim”.