Até o final do ano, prestações devem comprometer 28% da renda dos brasileiros

Segundo dados da Tendências Consultoria, o encarecimento do crédito a curto e médio prazo são os principais motivos

Publicidade

SÃO PAULO – O comprometimento da renda dos brasileiros com prestações está em crescimento. Dados da Tendências Consultoria mostram que, em maio deste ano, 26,3% da renda dos brasileiros estava comprometida com o pagamento de prestações. Em abril, 25,9% da renda estava comprometida e em maio do ano passado o percentual estava em 25,8%. A perspectiva da consultoria é de que, em dezembro, esse percentual seja o maior de todo o ano, em torno de 28%.

Os dados  têm como base as informações divulgadas pelo Banco Central sobre prazo de pagamento e taxas de juros de algumas linhas para pessoa física. Além disso, a consultoria leva em consideração a evolução da massa de rendimento dos trabalhadores, calculada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), e a massa de rendimentos previdenciários.

De acordo com o economista da consultoria, Alexandre Andrade, desde março o comprometimento está subindo e o maior acesso ao crédito e o encarecimento dele no curto prazo, devido aos aumentos da Selic, são os principais motivos. “As condições de crédito sofrem algumas oscilações”, afirma o economista. “O aumento da taxa Selic se traduz em aumento nas taxas finais cobradas pelos bancos e eles repassam aos consumidores esse aumento”, explica.

Mercado de trabalho e renda
Embora a Selic seja um fator que pode aumentar ou recuar a demanda por crédito por parte dos consumidores, pois influencia no custo final dos financiamentos, o comprometimento da renda tem no mercado de trabalho e na renda suas principais influências. Esse comprometimento, segundo Andrade, poderia ser bem maior não fosse o bom cenário econômico pelo qual o País passa. “As condições no mercado de trabalho continuarão favoráveis e a gente deve observar ainda um crescimento de emprego e renda”, acredita o economista.

O cenário favorável e o crédito fácil estão fazendo os consumidores comprar mais a prazo e isso fará com que a curto prazo o endividamento suba. Contudo, esse aumento não deve fazer com que as taxas de inadimplência evoluam a níveis insustentáveis. “A inadimplência não deve fugir do controle e nem se traduzir em fator de preocupação”, diz o economista.

Crédito
Se as condições de renda dos trabalhadores estão melhores, por que não comprar à vista? “O crescimento da renda permite que o consumidor tenha acesso a bens que ele não tinha antes. Mas dependendo do valor do bem, ele só terá acesso se tomar crédito”, lembra Andrade.

Continua depois da publicidade

O consumo, ainda que menor nos próximos meses, ainda fará do crédito um instrumento para muitos consumidores. E mesmo que ele fique mais caro, ele deve continuar crescendo. “Em 2003 e 2004 o crédito representava muito pouco em relação ao PIB e ele ganhou uma importância muito grande nos últimos anos”, lembra Andrade. “Com isso, é natural que o comprometimento da renda suba na medida em que a importância do crédito aumenta”, reforça.

Com ou sem endividamento, o certo é que o crédito não deve parar de crescer mesmo com a economia em desaquecimento. “As classes mais baixas estão começando a utilizar esse instrumento agora. Ainda tem muito caminho a ser percorrido e há muito espaço para crescer nos próximos anos”, diz Andrade. Para se ter uma ideia, a relação crédito e PIB está em torno de 45% hoje.