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Usa poupança para aposentadoria? Você pode estar deixando de ganhar R$ 1,3 milhão

Existem outras diversas opções que oferecem o mesmo grau de risco e podem pagar mais   

Aposentadoria
(Shutterstock)

SÃO PAULO - Para se aposentar com tranquilidade é preciso se preparar com antecedência. Caso tenha a intenção de parar de trabalhar, você deve começar a se planejar o quanto antes. E investir é a solução mais adequada para alcançar a independência financeira.

Mas o problema no Brasil é que dos poucos brasileiros que investem (24%), boa parte (16%) coloca dinheiro na poupança - e essas pessoas deixam de ganhar (muito) dinheiro com isso. Os dados são de pesquisa da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais). 

“Poupança é uma ferramenta que bancos usam para incentivar você a deixar seu dinheiro de curto prazo. E as pessoas atrelam a poupança a um investimento conservador. Essa falta de informação aliada a um país que historicamente enfrentou momentos instáveis financeiramente deixaram a impressão de que a poupança é uma opção muito segura", afirma Luis Almeida, assessor de investimentos da Lifetime Investimentos. Mas existem opções tão seguras quanto, e muito mais rentáveis. "A poupança não pode nem ser considerada investimento", complementa.

Entre as outras diversas opções que oferecem o mesmo grau de risco e podem pagar mais, Fernanda Alves, assessora de investimentos da Praisce Capital, sugere o Tesouro IPCA+ com vencimentos longos. Este é um título público cuja rentabilidade está atrelada à inflação (IPCA), mais uma taxa prefixada - portanto, garante juro real. 

Ela explica que o título garante rendimento por muitos anos, mas que aplicar uma só vez não é o suficiente - é ideal fazer aportes mensais. “É preciso garantir a rentabilidade das suas aplicações não apenas para a fase de acumulação, mas também posterior à aposentadoria. Porque a renda do investidor dependerá do rendimento de suas aplicações pós-aposentadoria”, diz.

Levando isso em consideração, a assessora elaborou duas simulações para você entender a importância de colocar seu dinheiro em uma aplicação mais rentável que a poupança. Confira:   

Pessoa A  

Perfil conservador

Aos 35 anos e saldo inicial R$ 0

Aplica na poupança: R$ 2 mil

 

Aos 67 anos (Depois de 32 anos)

Terá acumulado R$ 2.058.623,82

Pessoa B

Perfil conservador

Aos 35 anos e saldo inicial R$ 0

Aplicando em IPCA + 2050 (NTNB - 2050)

 

Aos 67 anos (Depois de 32 anos)

Terá acumulado R$ 3.378.759,17 (descontado IR)

Ou seja, se você investir na poupança vai deixar de ganhar R$ 1.320.136 em 32 anos. Não vale a pena escolher a opção menos rentável.

Quer investir para se aposentar e fugir da poupança? Abra uma conta na XP.

Mas claro que você pode conseguir ainda mais dinheiro se seguir a regra da diversificação para minimizar riscos. "É recomendado distribuir a carteira em diferentes produtos, instituições ou classes de ativos", orienta Mariana Paulon, planejadora financeira GFAI. Mas fica claro que a poupança não é uma opção para o seu portfólio.

Vale lembrar que não há uma regra sobre em quanto tempo você deve se aposentar, cada pessoa consegue se adaptar e ajustar seu orçamento dentro de um período. Mas se quiser ter uma ideia de quanto precisa, clique aqui.

Brasileiro não pensa em se aposentar

Segundo uma pesquisa realizada pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), 78% dos brasileiros admitem que não pensam financeiramente no longo prazo. A pesquisa contou com mais de 3.800 entrevistados.

É uma regra simples: quanto maior o tempo de contribuição, menor será o valor mensal poupado. Segundo Almeida, ainda estamos começando a nos acostumar com a dinâmica de poupar.

"O nível baixo de educação financeira atrapalha o desenvolvimento desse pensamento poupador. O brasileiro está atrelado ao imediatismo e só começa a pensar em guardar dinheiro quando sua carreira sofre uma alavancagem e o salário aumenta. “Os gastos são efêmeros. O sujeito se endivida para comprar um carro, vai atrás de um apartamento que não tem capacidade de comprar - tudo porque não tem a cultura poupar”, diz o assessor.

Essa situação é realidade para o brasileiro mesmo hoje tendo mais acesso à informação, sendo mais fácil encontrar bons produtos para investir e com profissionais cada vez mais preparados para nos auxiliar. “É cultural: nos EUA fazer uma consultoria financeira é tão comum quanto uma consulta médica, por exemplo”, explica Paulon. Enquanto no Brasil, muitas pessoas não sabem que há profissionais especializados nesse assunto.

Além disso, segundo uma pesquisa da Anbima, quase metade dos brasileiros (47%) espera contar com a previdência social, 28% espera continuar trabalhando indefinidamente e 2% já deduz que terá apoio da família. Ou seja, o planejamento financeiro não faz parte da realidade dos brasileiros.

"O brasileiro viveu muito da impressão de que o INSS iria garantir sua aposentadoria e alimentou a tendência de não se planejar para o futuro, já que sua contribuição para o governo estava sendo feita", complementa Almeida. Mas hoje precisa-se construir um patrimônio de outra forma. Ou seja, investindo da maneira mais rentável possível - fugindo da poupança. 

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