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SÃO PAULO – Nos últimos meses, muito se tem falado sobre os empréstimos consignados com desconto em folha oferecidos a aposentados e pensionistas do INSS (Instituto Nacional da Seguridade Social). O principal atrativo do produto é a taxa de juros cobrada, que varia de 1,5% a 3,7% ao mês, dependendo do prazo de financiamento, limitado, por lei, a 36 meses.
A questão que fica, entretanto, é se o uso destas linhas estaria sendo adequado. Não há como negar os esforços que o atual Governo tem feito no sentido de ampliar e facilitar o acesso ao crédito para a população. Porém, oferecer crédito barato, sem que o consumidor esteja financeiramente educado para isso, pode acabar se transformando no que alguns analistas consideram uma bomba de efeito retardado.
Sem um planejamento orçamentário adequado, não são poucos os casos de aposentados que, passados alguns meses, percebem que não têm condições de manter os pagamentos. Em parte, isso se deve ao fato que, na terceira idade, os chamados gastos extraordinários, sobretudo com saúde, são mais freqüentes, e não é difícil perder o controle.
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Juros são menores, mas é preciso bom senso
De fato, os juros cobrados nestas operações estão abaixo daqueles praticados nas operações convencionais. De acordo com a Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade), os juros cobrados pelos empréstimos pessoais, para o mês de abril, estão em 5,77% ao mês.
Isto implica em dizer que o crédito consignado oferecido aos segurados da Previdência deve ser visto como uma alternativa mais barata para se quitar dívidas cujos juros são elevados, como, por exemplo, as do cartão de crédito e cheque especial, cujas taxas médias mensais são de, respectivamente, 10,26% e 8,27%.
Na ótica do diretor presidente do Ibedec (Instituto Brasileiro de Estudo e Defesa das Relações de Consumo), Dr. José
Geraldo Tardin, o empréstimo mediante desconto na aposentadoria, ou benefício, não deve ser feito para consumo. De acordo com dados do Ibedec, desde o lançamento destas linhas de crédito, em maio de 2004, já foram concedidos cerca de R$ 6 bilhões ao público para pouco mais de 2,6 milhões de aposentados e pensionistas. Isso significa que, em média, o valor médio das linhas de crédito é de R$ 2,3 mil, quase oito vezes o salário mínimo vigente.
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Na ponta do lápis: vantagem é clara
Vamos imaginar, por exemplo, o caso de um aposentado que, atraído pelos juros “baixos”, decidiu financiar em 36 meses um refrigerador de R$ 1,5 mil. A título de ilustração, vamos assumir que, por este empréstimo, o aposentado arcou com juros mensais de 2,5% ao mês. A uma primeira vista, a prestação mensal de cerca R$ 64 parece atrativa, pois não pesa no bolso do aposentado. Entretanto, 36 meses depois, o beneficiário teria pago R$ 2.292,48 pelo refrigerador, ou R$ 792,48 somente em juros, o suficiente para comprar um novo forno microondas ou uma máquina de lavar roupas, por exemplo.
Agora, imagine se este mesmo aposentado optasse por financiar este mesmo bem com a taxa atualmente praticada nos crediários das grandes varejistas? Neste caso, os juros médios, novamente segundo a Anefac, seriam de 6,10%. Ao final do prazo, o gasto em juros seria muito superior, de cerca de R$ 2,2 mil, frente aos R$ 792, no caso do empréstimo consignado.
Os números deixam claro a vantagem das novas linhas. Mas, antes de optar pela sua contratação, é importante que você analise se efetivamente precisa do financiamento, e se o uso que está dando para este dinheiro é mesmo adequado. Muitas pessoas levantam estas linhas acreditando que, caso enfrentem uma dificuldade financeira, podem desistir do crédito quando quiserem. Não é bem assim! Não se iluda com o acesso a crédito barato.
Seja responsável. Se você não precisa do dinheiro, não vale a pena levantar o crédito. Lembre-se: não existe taxa mais vantajosa do que não gastar dinheiro com juros.