Anbima altera certificações para profissionais de investimentos; veja como será

Certificações CPA-10, CPA-20 e CEA deixarão de existir; novas credenciais serão concedidas a partir de janeiro de 2026

Anna França

Novas regras permitem negociação de câmbio entre pessoas até o limite de US$ 500. Foto: Pixabay

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A Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) vai reformular as certificações que credenciam os profissionais para atuarem no mercado de investimentos no Brasil.

A entidade iniciou uma revisão nos processos de CPA-10, CPA-20 e CEA, que resultará no lançamento de novas certificações para quem trabalha na área. As provas de seleção, com a nova roupagem, passarão a ser aplicadas a partir de janeiro de 2026.

As modificações propostas ocorrem no rastro da rápida evolução do mercado, que passou a exigir dos profissionais o exercício de novas funções e competências. A proposta é que as certificações de distribuição passem a ser concedidas conforme as atividades exercidas, e não mais com base em instituições, cargos ou segmentos de mercado atendidos (varejo e alta renda), como acontece hoje.

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O objetivo é que elas passem a avaliar não só os conhecimentos técnicos dos candidatos, mas também a capacidade de aplicar a teoria em casos práticos e de demonstrar competências comportamentais, a chamada “soft skill”.

“Nossas certificações tinham mais de 20 anos e foram criadas num mundo muito diferente, quando não havia plataformas ou supermercados de investimentos. E os produtos também se sofisticaram e diversificaram muito. Vinhamos atualizando, mas percebemos que precisaria mudar a arquitetura das certificações para continuar em linha com o que existe no mercado”, explicou o superintendente de Sustentabilidade, Inovação e Educação da Anbima, Marcelo Billi.

Transição

Ele diz que até a efetivação da mudança, a entidade manterá canais de comunicação para captar sugestões sobre a nova cara das certificações. “Esperamos receber contribuições que ajudem a tornar as nossas certificações ainda mais relevantes ao mercado”, enfatiza.

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De acordo com o executivo, o anúncio foi feito com bastante antecipação porque há mais de 370 mil profissionais com certificações antigas, por isso será feito um plano de transição. “Quem fizer prova até dezembro de 2025 não vai ter gasto nenhum para adaptação. O custo será apenas de horas para se atualizar no Anbima Edu”, afirma.

A entidade também programou a realização de lives para explicar como toda a mudança será feita. Além disso, haverá guias de estudos, simulados, para que as pessoas consigam se preparar para as provas de certificação.

As mudanças propostas tiveram como base amplo estudo feito em parceria com a Deloitte, consolidado no relatório “Um Olhar sobre as Certificações: análise do cenário atual e propostas para o futuro”.

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O estudo foi elaborado a partir de pesquisas e entrevistas com o mercado e contém informações sobre o perfil e a atuação dos profissionais de distribuição (job analysis), as competências técnicas e comportamentais que precisam para exercer suas atividades e o funcionamento das certificações no Brasil e no exterior.

O documento pontua que os profissionais com cargos distintos na distribuição de investimento estão exercendo, na prática, funções similares. Além disso, revela que, diante do elevado nível de conhecimento exigido da categoria, há necessidade de processos de capacitação mais abrangentes, que mesclem conteúdo técnico e habilidades comportamentais.

“Com base nesse diagnóstico, estamos repensando o nosso jeito de educar e avaliar. A nossa proposta é que o formato das provas passe a ser mais situacional e integrativo, permitindo a avaliação conjunta de competências técnicas e comportamentais que hoje são essenciais para os profissionais atuarem”, explica Billi.

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Neste novo contexto, a partir de janeiro de 2026, a certificações CPA-10, CPA-20 e CEA deixarão de existir no modelo atual, sendo substituídas por três novas certificações, cujos nomes serão anunciados em breve.

Veja como cada uma delas será voltada

1) Fornecimento de informações básicas sobre produtos, investimentos e serviços financeiros nas instituições, seja para prospecção ou suporte no atendimento ao cliente.

2) Gerenciamento e acompanhamento do portfólio de investimentos do cliente. Entre suas principais funções, esse profissional realiza a análise do perfil do investidor, presta informações sobre os diferentes tipos de investimentos e seus riscos e, se necessário, pede auxílio para um especialista em produto antes de mudar a carteira do cliente.

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3) Recomendação sobre investimentos, com expertise para criar e alterar portfólios. Focado em produtos de investimentos, esse profissional pode ser especialista em classes e ativos específicos, oferecendo suporte tanto para o cliente final quanto para outras áreas da instituição.

Essa divisão vai em linha com o que já é praticado em países da Europa e Estados Unidos, onde as certificações já são majoritariamente pautadas pelas atividades dos profissionais. Já no quarto trimestre de 2024, a Anbima divulgará o plano de transição das atuais certificações para as novas. Os detalhes desse processo ainda estão em definição, mas é certo que nenhum profissional perderá sua certificação ou terá que fazer nova prova.

Próximos passos

Diante do impacto da novidade aos profissionais que já têm ou buscam as certificações Anbima, ao longo dos próximos dois anos a entidade realizará ciclos de conversas com o mercado, reguladores, profissionais que já têm certificação, escolas preparatórias e outros stakeholders para coletar sugestões e tirar dúvidas sobre as mudanças.

Além disso, serão realizados pilotos para testar o novo modelo de avaliação dos candidatos, bem como melhorias nos sistemas para que profissionais e instituições associadas tenham uma experiência unificada e completa nas etapas de preparação, inscrição e atualização das certificações. Isso inclui integração ao ANBIMA Edu, aplicativo educacional da Associação que oferece gratuitamente cursos de qualificação para quem já atua ou deseja uma colocação no mercado financeiro.

O objetivo é que, até janeiro de 2026, o aplicativo disponibilize jornadas de aprendizagem — microcertificações criadas para contribuir com a especialização do profissional sobre determinado assunto — dos principais conteúdos cobrados nas certificações, além de simulados das provas. As microcertificações também serão a maneira como os profissionais certificados passarão a manter suas credenciais atualizadas.

Anna França

Jornalista especializada em economia e finanças. Foi editora de Negócios e Legislação no DCI, subeditora de indústria na Gazeta Mercantil e repórter de finanças e agronegócios na revista Dinheiro